As pessoas ficam sujeitas a vários tipos de obsessão. Pelo poder, amorosa, consumo, espiritual e outras. Da espiritual não quero tratar por respeito ao colega desta página aos sábados, Felipe Salomão, douto no assunto, tema que certamente ainda abordará no futuro. Poderia enveredar-me por aquela da corrupção, ou do massagear o ego com auto gabação por feitos nunca vistos neste País.
Outra, de efeitos graves para a saúde segundo indica a tecnologia, podendo acrescentar-se o hábito deseducado de obsessivo uso, vem grassando pelo mundo: telefonia celular. Ficou obrigatório dentro dos aviões, no interior dos teatros e até placas em velórios alertando: “Desliguem seus celulares”.
Mesmo assim é comum ouvir-se entre um conjunto de pessoas velando um defunto, estridentes sons de chamadas celulares. Tão obcecadas estão as pessoas pela presença de suas pequeninas máquinas falantes que recentemente uma companhia aérea instituiu seu uso legal durante os voos. Já quase não vê nas ruas figuras humanas sem as mãos – às vezes duas – nas orelhas agasalhando o minúsculo aparelho que fala, fotografa, filma e navega também na Internet.
Não me cabe diploma para contestar seus efeitos positivos na comunicação. Sua utilidade está imposta a modernidade e dinâmica do homem, no entanto, seu uso extravasando necessidade por vaidade ou vício merece mais atenção das pessoas, especialmente crianças.
“Tirem o celular da mão das crianças!”. O oportuno alerta foi lançado por Devra Davis, epidemiologista americana. Em seu livro Disconnect, lançado nos Estados Unidos, desnuda pesquisas sobre risco dos celulares, especialmente na criança de até 10 anos. Na obra ainda não disponível no Brasil, cita o especialista brasileiro Álvaro Salles, estudioso ligado ao tema da criança ao usar celular, sujeita ao risco 60% maior que adultos.
Aos pais é urgente informação de que a desculpa de segurança ou velocidade de comunicação de suas crianças podem acarretar um custo muito alto através da radiação cancerígena a que elas estão sendo expostas com o celular. O problema dos celulares reside em sua exposição prolongada ao corpo humano, especialmente sobre os neurônios cerebrais. Quantos minutos ao dia, falamos ao celular? 365 dias por ano, por anos a fio? O poder cumulativo dessa radiação pode alterar uma célula e torná-la cancerígena. Davis doutora em sociologia e saúde pública responde por duas centenas de trabalhos publicados. Lecionou epidemiologia na Universidade de Pittsburgh. Foi assessora de epidemiologia no governo Clinton. Fundou e dirige a Environmental Health Trust, uma ONG dedicada à produção e ao uso de celulares seguros.
O uso de celular exige regras de precaução: não colar o aparelho aos ouvidos, não portá-lo colado ao corpo, evitá-lo para crianças de até 10 anos. E, sobre pesquisas: “Há muitas formas de cozinhar os dados de uma pesquisa e invalidá-los”, diz a americana Devra Davis.
Garcia Netto
Jornalista
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