Caminhando para o final do ano litúrgico a Igreja nos convida a celebrar com ânimo, coragem e grande expectativa a bondosa presença do Senhor que vem ao nosso encontro para nos salvar.
Através do profeta Malaquias, da IIª Carta aos Tessalonicenses e do evangelista Lucas, somos convidados a “exultar” na presença do Senhor (Sl 97). O profeta faz um oráculo ao triunfo da justiça divina. O povo de Israel vive numa época muito difícil. Passaram-se muitos anos desde que os exilados voltaram da Babilônia mas a situação não está boa e eles estão desanimados. “É trabalho perdido servir a Deus”, dizem. O profeta escuta estas queixas, mas não fica indignado. Ele compreende que quando as pessoas estão com o coração profundamente amargurado falam desse modo. Elas não precisam de correções e sim de palavras de conforto e de esperança.
Malaquias anuncia-lhes que logo irão perceber a diferença entre o justo e o ímpio, entre quem serve a Deus e quem não o serve. Usando imagens comuns do seu tempo o profeta quer oferecer-lhes consolo e esperança. Quando anuncia que os ímpios serão destruídos não está dizendo que um dia o Senhor punirá os maus, atirando-os nas chamas do inferno. Deus não faz essas coisas. O seu fogo aniquila como palha não os homens, mas o mal que existe dentro do homem. O dia do Senhor já chegou, é o dia da sua morte e ressurreição. O “sol de justiça” é o próprio Cristo. O fogo que destruirá o mal é o Espírito Santo, é a Palavra de Jesus, o seu Evangelho que já começou a renovar a face da terra. O novo mundo é o Reino de Deus.
Na segunda leitura que é um trecho da segunda carta de Paulo aos Tessalonicenses, o Apóstolo se encontra diante de uma comunidade quase acomodada como consequência de uma idéia que surge entre eles: o mundo está se aproximando do seu fim e, portanto, alguns não querem trabalhar mais, passavam a viver às custas dos outros. A situação se torna cada vez mais preocupante e escandalosa. Paulo teve que intervir. Ele os adverte dando o exemplo da sua própria vida: nunca fui peso para ninguém, anunciei o evangelho gratuitamente. Sua intenção é que não ficassem iludidos com nada e que não se deixassem envolver por idéias diferentes às anunciadas por ele. Ele os exorta a ser uma comunidade que respeite o que anunciou e que convivam com zelo e dedicação cada dia da vida.
No evangelho escrito por Lucas é confirmada que a vinda de Cristo, chamada de parusia, não será imediata. Não há como fixar a data do fim dos tempos. O mundo novo já começou, mas a sua manifestação será lenta e penosa. O fim do reino do pecado, que é símbolo do mundo velho, não deve ser confundido com a destruição da terra na qual vivemos. O evangelho quer nos ensinar que as verdadeiras preocupações dos cristãos devem girar em torno do que devemos fazer hoje, mantendo-nos vigilantes para acolher o Senhor em qualquer hora. Cada cristão não deve se preocupar com a data do fim do mundo e sim o que fazer, concretamente, para colaborar com o advento do mundo novo, do reino de Deus. Então o que fazer neste tempo que nos separa da vinda do Senhor até o fim dos tempos?
O tempo de espera será de grande “purificação”. Usando uma linguagem apocalíptica, Jesus quer afirmar aos seus apóstolos, discípulos e a nós que o seguimos: a nossa segurança é Deus e o seu modo de agir, pois, a nossa força consiste naquilo que os homens consideram fraqueza e fragilidade. Jesus quer inspirar confiança e dar ânimo a seus discípulos e a cada um de nós. Toda perseguição é ocasião de um testemunho mais firme, glorioso, irresistível. Jesus foi o primeiro perseguido.
A fé nos dá a certeza de que Deus não abandona o mundo às forças do mal. O sofrimento deve ser encarado como as dores de um parto, não como abandono e absurdo. Tudo o que fazemos, enfrentamos, realizamos, deve estar ancorado em Cristo: ele é que nos enviou, o Espírito Santo nos acompanha na missão e é para Deus que caminhamos. Na vida somos amados e sustentados por Deus.
PRIMEIRA COMUNHÃO
O primeiro grupo de crianças preparado durante dois anos por nossas catequistas receberá a primeira comunhão no próximo domingo na Catedral. Durante esta semana celebram a reconciliação (confissão), a confraternização com seus catequistas e depois o grande dia festivo. A primeira comunhão é sempre marcante na vida de fé da criança. O coração se torna o berço mais aconchegante que existe para Jesus morar. Parabéns às crianças e gratidão às catequistas.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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