Enquanto a presidente eleita Dilma Rousseff faz sua primeira aparição como protagonista do governo brasileiro, em Seul (Coreia do Sul), acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que participa pela última vez de uma cúpula do G20 como chefe da Nação - prosseguem os trabalhos da equipe de transição que prepara terreno para a formação do novo governo que toma posse no dia 1º de janeiro (se não for aprovada proposta, em tramitação no Congresso, que pretende levar a cerimônia para 2 de janeiro, em tramitação no Congresso). Porém, como já era esperado, começa a queda de braço entre os partidos que apoiaram a então candidata e que consideram, diante do desempenho de seus candidatos por todo o Brasil, merecer uma fatia maior do bolo. Ou seja: praticamente todos querem postos no primeiro escalão que deem maior visibilidade, em áreas de grande influência. Dilma teve em sua coligação, além do Partido dos Trabalhadores ao qual é filiada, mais nove agremiações partidárias, desde o PMDB até os inexpressivos PRB, PTN, PSC e PTC, além de PDT, PR, PSB e o PC do B (este último, um aliado histórico do PT).
No decorrer da semana, pelo menos cinco destes partidos selaram um pacto para que nenhum ‘avance’ sobre o território do outro na montagem do ministério do futuro governo. Além de PMDB, PSC e PR (que participaram da coligação desde o início), PP e PTB (anunciaram apoio à petista no segundo turno, embora o PTB integrasse formalmente a coligação do tucano José Serra) decidiram que atuarão em conjunto para que suas atuais fatias no ministério sejam mantidas. O PMDB do vice-presidente eleito Michel Temer, que atualmente ocupa sete pastas, buscou este acordo para impedir que algum destes aliados tente abiscoitar um dos seus ministérios. O PP e PR, que controlam dois dos mais disputados ministérios (Cidades e Transportes, respectivamente), pretendem manter as pastas.
Porém, toda esta movimentação pode se tornar inútil, uma vez que a equipe de transição, comandada pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, deve se movimentar em sentido contrário. Afinal, o Partido dos Trabalhadores reclama uma maior participação no governo Dilma, de olho inclusive em Ministérios hoje controlados por aliados, como Saúde (PMDB), Transportes (PR) e Cidades (atualmente nas mãos do PP, mas que já foi do PMDB). O PT ocupa atualmente a Fazenda e o Planejamento, além de presidências de estatais como a poderosa Petrobras e o BNDES. Além disso, a equipe de transição ainda trabalha para acomodar o PSB no primeiro escalão (Ciro Gomes ambiciona o Ministério dos Transportes). Como se pode ver, a transição não será fácil e, a pouco mais de um mês da posse da futura presidente, ainda não há consenso sobre o ministério a ser montado. Que será uma colcha de retalhos, ninguém duvida. Mas todos torcemos para que Dilma Rousseff consiga administrar as diferenças antes da posse e consiga acomodar os aliados sem perder tempo com picuinhas palacianas que possam prejudicar a sua administração à frente dos destinos do País.
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