Violência x conquistas


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Duas informações divulgadas no decorrer da semana (anteontem e ontem) mostram que, em pleno século XXI, as mulheres ainda vivem uma situação conflitante. Mesmo num momento em que o País acaba de eleger uma mulher como presidente (Dilma Rousseff) e mesmo considerando as leis mais rígidas contra as agressões (como a lei Maria da Penha), ainda recebemos notícias que devem nos fazer pensar com maior seriedade na situação da mulher na sociedade brasileira. De acordo com notícia publicada pelo Comércio, há dois dias, continua crescendo o número de queixas na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca. Nos primeiros nove meses do ano, houve uma média de 144 ocorrências de agressões registradas mensalmente pela repartição. Em 2009, esta média tinha sido de 112 denúncias mensais. De janeiro a setembro, a DDM registrou 1.301 casos de ameaça e agressão contra mulheres. Embora tenha havido aumento do ano anterior para este, autoridades atestam que muitas mulheres ainda se negam a registrar a ocorrência e convivem caladas com surras e agressões psicológicas. A dependência do marido, o medo gerado pelas ameaças do agressor e problemas com drogas e álcool explicam a falta de iniciativa.

Por outro lado, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o número de famílias chefiadas por mulheres cresceu oito pontos percentuais entre 2001 e 2009 no Brasil. O estudo, feito com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), aponta que passou de 27%, em 2001, para 35%, em 2009, as famílias brasileiras que têm uma mulher apontada como responsável pelo domicílio. Em termos absolutos, são 21,9 milhões de famílias chefiadas por mulheres. O crescimento foi apontado em todas as regiões do país, mas, segundo o Ipea, é tipicamente urbano. De acordo com o instituto, o crescimento está associado a diversos fatores: queda da fecundidade, redução do tamanho das famílias, maior expectativa de vida para as mulheres em relação aos homens, envelhecimento populacional, entre outros.

Como se pode ver, ao mesmo tempo em que as mulheres se veem às voltas com conquistas relevantes no campo profissional - diversas pesquisas mostram que cresce de forma constante a presença feminina no mercado de trabalho -, ainda continuam a mercê de agressores. Não podemos continuar vendo esta situação, que humilha e vitimiza a mulher. Já passa da hora de um basta a esta violência contra a mãe, contra a esposa, contra a filha. Ou seja, contra a mulher que, à parte dos avanços registrados nas últimas décadas, ainda vive sob à sombra de homens violentos.

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