Morreu na primeira hora do dia 5 deste mês, durante internação no Hospital Regional de Franca, o Dr. Newton Novato, clínico geral, ginecologista e obstetra que marcou época na medicina francana e conquistou, em função de seu trabalho, título de cidadania concedido pela Câmara Municipal em 6 de setembro de 1991 através de projeto do vereador Roberto de Oliveira Motta. Foi internado em função do agravamento de quadro cardíaco que o incomadava havia anos. Problemas próprios da idade – faria 84 anos no dia 28 deste mês, também data do aniversário de Franca – não lhe permitiram superar o problema.
Era natural de Patrocínio Paulista. Estava viúvo há 10 anos de Nilza Bernardes Novato. Continuava a residir em sua tradicional residência da Rua Júlio Cardoso. O casal teve 2 filhos, engenheiros Newton Roberto, casado com Elizete, e Sérgio Fernando, casado com Andréia, residentes em São Paulo, capital. Dos casamentos dos filhos nasceram 5 netos (Fernando, casado com Andréa; Newton Neto, casado com Mariana; Ana Carolina, casada com Cléberson Silva, Júlio Augusto e Nilza Beatriz) e 1 bisneta, Manuela.
Formou-se em 1951 pela tradicional Universidade da Praia Vermelha da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Em 1952 iniciou clínica em Franca. Tornou-se rapidamente, pelo conhecimento e simpatia profissional, referência do exercício da Ginecologia e Obstetrícia local. Segundo informações de sua família, atuou na área até o parto de uma jovem que tinha, como obstetra, trazido à luz. Como também se formou advogado – Faculdade Municipal de Direito de Franca – uniu as especialidades e passou a atuar como perito do Poder Judiciário. Nunca parou. Quando Sérgio, seu filho, conversou com o Comércio auxiliando no levamentamento de dados biográficos do pai, encontrou um laudo formulado para a justiça de Orlândia, datado de janeiro de 2008. Newton mantinha-se, então, em pleno trabalho há pouco mais de dois anos.
Paralelamente à vida profissional foi notável empreendedor e defensor classista. Integrou os primórdios do grupo de médicos que deu origem à Unimed Nacional e tornou-se um dos vice-presidentes da entidade que se tornaria cooperativa nacional. Em Franca, participou da construção da sede da organização no bairro São José e atuou como presidente e superintendente. Também compôs o grupo que criou e construiu o Hospital Regional de Franca. Foi diretor do Centro Médico da cidade. Em sua gestão foi erguido o prédio-sede do Centro, na rua General Carneiro. Não abria mão de integrar-se a quaisquer movimentos de defesa da classe.
Em casa, segundo o filho Sérgio, foi “pai presente, motivador do estudo dos filhos, exemplo de trabalho e de caráter”. Como cidadão, apoiou o Clube de Campo e o Clube dos Bagres. “Até no futebol da Francana, quando isso era necessário, atuou. Lembro-me de ter feito algumas viagens com ele por estradas de terra, quando acompanhava o time em partidas memoráveis”.
Em casa, o homem sisudo transformava-se. Gostava de cozinhar. “Havia uma receita, herdada de uma tia, que papai transformou em prato referencial: cabrito à caçadora. Ficou tão bom na preparação que chegou a produzi-la em certa ocasião em grande restaurante de São Paulo, para amigos selecionados”.
Na ocasião do velório as qualidades de Newton Novato foram, ainda uma vez, ressaltadas. “Sobre sua capacidade de trabalho, amigos se recordaram de que lhe perguntaram se não pararia nunca para descansar. Ele respondeu que ‘quando não puder mais, sei que terá chegado a minha hora’”. É voz comum que ele não se limitou a ser médico. “Queria, mais que tudo, respeito à classe. Ensinou que a prática da ética é tudo e o respeito dos pacientes e da comunidade decorre disso”, finalizou Sérgio. O velório aconteceu no São Vicente de Paulo. O corpo foi sepultado no dia 6 de novembro, jazigo da família no Cemitério Municipal de Patrocínio Paulista.
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