Número de francanos endividados cai de 61% para 51% em um ano


| Tempo de leitura: 3 min
EM PRESTAÇÕES - A corretora de imóveis Larissa Campos faz as contas na calculadora do celular de suas dívidas: ela está entre os francanos com contas para pagar. Larissa deve o novo aparelho celular, o carro Sandeiro/2008, roupas e cadeirinhas que comprou
EM PRESTAÇÕES - A corretora de imóveis Larissa Campos faz as contas na calculadora do celular de suas dívidas: ela está entre os francanos com contas para pagar. Larissa deve o novo aparelho celular, o carro Sandeiro/2008, roupas e cadeirinhas que comprou

Uma pesquisa realizada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef em parceria com a Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) em setembro revela que a cada dez francanos, cinco possuem contas para pagar. A maioria dos endividados mantém os pagamentos em dia. O levantamento mostra que apenas 23,5% dos consumidores estão com as dívidas em atrasos e 5,5% não terão condições de liquidá-las. Foram entrevistados 800 consumidores de Franca; todos maiores de 18 anos.

O professor do Departamento de Economia do Uni-Facef, Hélio Braga Filho, considera o índice de endividados (51,6% dos entrevistados) preocupante e pontua que a situação pode resultar em inadimplência e até numa retração no setor comercial. “Embora não tenhamos parâmetros para afirmar se é um número alto ou baixo, sabemos que retrata a situação do Brasil. É preocupante. Primeiro porque há riscos do consumidor perder o emprego, o que pode agravar a situação de inadimplência. Segundo porque esses consumidores com dívidas poderão ter dificuldade de continuar consumindo”.

Há um ano, a mesma pesquisa revelou número maior de endividados. Dos 800 consumidores consultados em setembro de 2009, 61,3% declararam ter dívidas, sendo 24,4% com atrasos nos pagamentos e 7,8% sem condições de pagá-las.

O economista considera a redução pequena, mas destaca que ela demonstra que os consumidores estão mais conscientes e reflete o aquecimento da economia. “O consumidor, já ciente do seu comprometimento financeiro, evitou contrair novas contas e reduziu seu estoque de dívidas. Além disso, é provável que o aquecimento do mercado de trabalho fez com que o consumidor passasse a comprar bens de menor valor, que dependem menos de crédito e isso contribuiu para melhorar a situação de um ano atrás”.

Até setembro, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), Franca gerou mais de 16 mil postos de trabalho.

PRINCIPAL VILÃO

A pesquisa mostra também que os gastos com cartão de crédito são os mais comuns, seguidos de carnês em lojas e financiamentos de carros. De dez, seis consumidores devem a operadoras de cartão. Hélio Braga alerta sobre os riscos de usá-los. “O cartão é um atrativo sedutor. Se as pessoas não tiverem cuidado, podem se tornar inadimplentes. O juro é relativamente alto. O cartão deve ser usado somente em último caso”.

A corretora de imóveis Larissa Campos, 30, segue o conselho e evita comprar com cartão. “Deixo meu cartão fora da bolsa para não usar e depois cair na tentação de pagar só a parcela mínima da fatura e demorar ainda mais até quitar todo valor”.

Mesmo com esse hábito, Larissa não está fora da lista dos endividados. Calcula que 70% de sua renda mensal fique comprometida com as contas parceladas. O carro Sandeiro foi comprado em 2008 em 48 vezes e só de prestação do veículo, paga R$ 1.060 por mês. Tem ainda as seis parcelas de R$ 72 das cadeirinhas para transportar os filhos, as dez de R$ 59 do novo celular e os carnês de lojas de roupas para serem pagos em três ou quatro vezes. “Só compro parcelado, mas, pelo menos, não estou com nenhuma conta atrasada”, disse ela.

Dos 800 entrevistados, a maioria não comprometeu mais de 30% do orçamento com as contas. 

Leia também Inclusões no SCPC também diminuem

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários