A dificuldade em encontrar profissionais qualificados e com experiência na profissão atinge o setor metalúrgico da cidade de Franca. O “apagão” da mão de obra verificado nos últimos meses na produção calçadista e em setores da economia como a construção civil, por exemplo, chegou às metalúrgicas do município. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Franca e região, cerca de 25% a 30% das vagas de trabalho disponíveis nas indústrias francanas ainda precisam ser preenchidas. A reportagem do GCN entrou em contato com oito delas. Todas confirmaram que sofrem com a falta de mão de obra.
Franca tem aproximadamente 120 empresas na área de metalurgia e 1,8 mil funcionários trabalhando no ramo. Os profissionais mais procurados pelas empresas estão entre os que atuam no setor de fundição e modelagem, além de soldadores, desenhistas, projetistas, torneiros mecânicos, caldeireiros e programadores de centro de usinagem. Para o sindicato, a situação começou a piorar a partir de março, quando o mercado ficou mais aquecido e a demanda por trabalho aumentou.
As metalúrgicas apontam a falta de qualificação profissional e a vocação calçadista da cidade como os principais fatores responsáveis pela dificuldade de contratar novos funcionários. A solução encontrada por muitas foi a de realizar o treinamento de pessoal em suas próprias instalações.
A Metal Vale contratou dez funcionários no mês de outubro e todos vão passar pelo período de experiência que deve durar três meses até serem, de fato, admitidos. “A empresa procura treinar os novos funcionários para ajudá-los a se adaptar ao esquema de trabalho. Mas a média de contratação efetiva, após o período de treinamento, varia de 60% a 70%”, disse a responsável pelo RH, Josiane Guilherme Peres.
O salário médio de admissão no setor é de R$ 750 e, em muitos casos, as empresas francanas buscam profissionais em outras cidades e, até mesmo, outros estados. “Já contratamos profissionais em São Paulo e em Maringá. Recebemos muitos currículos, mas eles não se adequam ao que procuramos”, disse Marcia Ajonas, diretora da Shop do Metal.
Segundo Helder de Sousa Gomes, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Franca e região, a produção das indústrias da cidade não tem sido prejudicada pela falta de trabalhadores. “As metalúrgicas criam formas de superar este problema. Os funcionários fazem horas extras e também alternam turnos. O mercado segue em expansão”, disse.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.