Franca tem acompanhado com bastante apreensão todos os fatos que envolvem a sobrevivência da Associação Atlética Francana, a dois anos de completar um século de existência. Disputando a terceira divisão do futebol de São Paulo, a agremiação encontra-se acéfala, sem diretoria constituída, numa situação que se arrasta há mais de um mês. Após o encerramento do mandato de José Servino Braga, pelo menos até agora ainda não apareceu um presidente de fato para o clube esmeraldino da rua Simão Caleiro. Há grupos interessados - como os dirigentes da Liga Francana Amador de Futebol que traçaram um plano de trabalho para manter a Feiticeira disputando o Campeonato Paulista -, porém o estatuto da Francana impede que não associados apresentem uma chapa para concorrer ao pleito. Agora surge a chance do empresário Manoel Donizete da Silva encabeçar uma chapa. Porém, depende do conselho deliberativo da agremiação dar sinal verde à candidatura e marcar a data da eleição, o que ainda não foi feito.
Vivendo nas últimas décadas verdadeira montanha-russa, com altos e baixos, nunca a Veterana se viu enrolada em situação semelhante, nem quando, no final da década de 1960 e início da de 1970, precisou montar um time só com atletas amadores, residentes na cidade, para não perder a vaga no Campeonato Paulista. Alguns anos depois, a Feiticeira - que em décadas anteriores tinha times bastante fortes, disputando partidas de igual para igual com os grandes clubes, como Corinthians e São Paulo, entre outros - viveu seu auge: em 1977 conquistou o acesso à divisão de elite do Campeonato Paulista, onde brilhou e, no seu primeiro ano de disputa, ficou entre os 10 melhores times do Estado. Jogou ainda pelo confuso Campeonato Brasileiro de então. Porém, menos de 10 anos depois (mais precisamente em 1982), retornou para a Divisão Intermediária (a segunda divisão de então) e nunca mais recuperou a vaga no Paulistão. E, nos últimos anos, foi rebaixada para a terceira divisão (a Série A-3), onde não tem feito boa figura.
Agora, a Francana vê-se numa situação vexatória, que não reflete a sua importância para os torcedores da cidade. O time, que já foi referência para toda a região e que conseguia lotar o estádio municipal ‘José Lancha Filho’ com milhares de torcedores, viveu nos dois últimos campeonatos momentos vexatórios, jogando para um estádio vazio e não conseguindo vencer adversários considerados fracos dentro de seus domínios. Neste ano, embora tenha tido um início promissor na Copa Paulista, chegando a liderar o campeonato, no final deixou nos torcedores uma sensação de desamparo por causa dos resultados inexpressivos. Os francanos ainda esperam que um clube que teve escretes com nomes fortes do futebol do interior não venha a acabar. O temor, a se continuar o impasse de agora, é que a Veterana simplesmente pendure as chuteiras antes de comemorar o centenário, o que seria uma perda para muitos dos amantes do futebol da cidade.
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