Em um supermercado na zona Sul de Franca, a diarista Marlene Silveira, 35, passa cerca de 15 minutos em frente às prateleiras onde estão dispostas dezenas de pacotes de feijão de diversos tipos. Mãe de dois filhos, ela tenta se decidir se leva ou não um quilo do produto para casa. O motivo da indecisão está fixado na gôndola: R$ 4,99 - feijão carioca, tipo 1. “Subiu demais. E o pior é que as crianças quase não comem sem feijão. Não é um produto que dá para substituir”, disse a diarista colocando o pacote no carrinho.
O aumento a que Marlene se refere foi quantificado na pesquisa do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef. O preço médio do quilo do feijão saltou de R$ 1,78, em janeiro deste ano, para R$ 3,52, no mês passado nos supermercados da cidade.
A alta de 98% - praticamente o dobro - no valor do grão foi a maior entre os produtos da cesta básica, mas não a única. A banana, com aumento de 66,86%, e a carne, com alta de 27,68%, fecham o trio de vilões que puxou o preço da cesta para cima, passando de R$ 169,58 para R$ 197,34, nos últimos dez meses, segundo o Ipes. A diferença de R$ 27,76, significa 16,36% de aumento. A variação é três vezes maior que os 4,7% da inflação registrados pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no mesmo período.
Dos 13 produtos que compõem a lista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), para acompanhamento do custo de vida em todo o Brasil, os francanos viram redução apenas em três deles: batata (-32,54%), tomate (-17,63) e pão francês (-2,39).
Para o economista Hélio Braga, o aumento dos gastos do brasileiro com alimentação já era esperado. “Com maior oferta de empregos, o consumo sobe, mas a oferta de produtos se mantém. A oscilação periódica da produção de produtos agropecuários - com entressafra, chuva, quebra de produção, etc. -, agrava a situação. Temos que prestar atenção, porque a alta não pode ser contínua para não fazer a inflação disparar”, disse o economista.
Esperado ou não, o aumento de preços tem obrigado as donas de casa a “darem um jeito” para controlar o orçamento doméstico. A dona de casa Tânia Aparecida Silva Diniz, 43, conta que deixou de fazer compras uma vez por mês para aproveitar as promoções. “Procuro os preços mais em conta e cortei os supérfluos, como iogurtes e bolachas. Isso não dá para comprar mais não”, disse a dona de casa.
Mexer no cardápio foi a solução encontrada por Lucélia Euripa Alves, 47. “A gente substituiu a carne bovina pelo frango. A mistura ficou mais básica”, disse ela.
COMPARAÇÃO
O aumento sentido pelas donas de casa nos supermercados de Franca não se restringe ao município. Consumidores das principais capitais do País também observaram altas significativas nos gastos com alimentação.
De acordo com o Dieese, os paulistanos têm a cesta básica mais cara do Brasil: R$ 241, em setembro de 2010. Em seguida à capital paulista aparecem Rio de Janeiro (RJ), R$ 219,54; Curitiba, 219,28; Belo Horizonte (MG), R$ 217,66; e Brasília, R$ 215,99. Naquele mês, os francanos pagaram R$ 187,02 pelos mesmos produtos.
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