Sem escola, Casa amplia


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Pela lógica histórica quando se fecha uma escola, torna-se necessário abrir uma nova cela. Pode não ser uma regra padrão, mas quem não recebe instrução de modo adequado acaba entrando para o mundo do crime. Como a legislação não permite cadeia comum para menor de idade, criou-se a Casa (Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Menor).

Provavelmente, um fato não esteja ligado ao outro. No entanto, na semana passada o Estado anunciou o fechamento gradativo de 7 escolas de ciclo inicial do ensino fundamental em Franca e ao mesmo tempo abriu inscrição para contratar 34 agentes de apoio socioeducativo para a unidade da Fundação Casa, instalada há pouco tempo na cidade.

Readequar é com o Estado mesmo (não bastaria acomodar uma vez só, para que repetir a dose?). Se antes havia a Febem (Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor), resolveram criar mais unidades pelo interior afora e mudar a denominação para Casa. Na época, fizeram uma readequação de locais para punir (não, não, leia ‘socializar e educar’) o menor infrator.

O atual coordenador de Ensino do Interior foi readequado ao cargo que ocupa. Engenheiro agrícola por formação acadêmica, inicialmente teve adequação para a função de secretário de Governo. Depois, voltou à origem profissional e assumiu a presidência do Ceasa de Campinas. Agora, está reacomodado numa Coordenadoria pertencente à Secretaria de Educação do Estado.

Na recente visita do coordenador de Ensino do interior a Franca, para discutir sobre o fechamento de 7 escolas, ele demonstrou entender de eufemismo. Na sua concepção figurada, não se fecha escola. O fim das matrículas para o segundo ano do ciclo I do ensino fundamental nas 7 unidades que serão fechadas aos poucos significa apenas uma readequação de prédios.

Tem mais ainda. Para o coordenador, ‘escola não se fecha, se transforma em municipal, escola técnica, de tempo integral’. Sem aspas, para indeterminar o sujeito, conforme dita a gramática (banida das escolas públicas e sempre presente nas particulares), o pronome vem depois do verbo: transforma-se mesmo em municipal. Quem não sabe disso? Está na Constituição.

Na Constituição também está a premissa quanto à obrigação do Estado em oferecer educação com qualidade. Quer fazer o teste? Sabe onde fica Brunei? Não, não sabe! E Azerbaijão, Barbados, Andorra, Belarus ou Maurício? Esses são apenas alguns dos países que estão à frente do Brasil no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) 2010, divulgado recentemente pela ONU. Entre os 169 países pesquisados para calcular o IDH, o Brasil ocupa o 73º lugar. A maior parte dos países da América Latina teve avaliação melhor que a brasileira. A Noruega ocupa a primeira posição da lista, seguida de perto pela Austrália. Nesses países, o número de alunos em sala de aula não passa de 30. Por lá, ninguém fala em fechar escolas. Quase nem existe criminalidade.

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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