Os problemas do Enem


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Pelo segundo ano consecutivo, a realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), cuja nota permite o ingresso a algumas faculdades (principalmente federais) no País, apresenta problemas. Enquanto no ano passado o ‘vazamento’ do conteúdo das provas foi bastante grave, deixando muitos estudantes preocupados com a possibilidade de não conseguirem o acesso a um curso superior, neste ano os erros verificados (folhas de respostas trocadas e provas com incorreções) levaram a Justiça Federal do Ceará a suspender o exame em todo o País, ao acatar um pedido de liminar (decisão provisória) feito pelo Ministério Público Federal. À decisão cabe recurso. A juíza federal Carla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal, baseou-se no argumento de que o erro da impressão das provas prejudicou os candidatos. Para ela, a realização de novos exames para parte dos candidatos ‘poria em desigualdade todos os candidatos remanescentes’.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse ontem que o MEC recebeu um número relativamente pequeno de relatos de problemas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), aplicado para 3,3 milhões de estudantes em todo o País. De acordo com Haddad, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ‘Anísio Teixeira’) ainda investiga o número exato de candidatos prejudicados. Este estaria abaixo da estimativa inicial de 2 mil estudantes. O MEC disse que, até agora, identificou apenas uma escola inteira em Sergipe, que não conseguiu trocar as provas com questões repetidas ou ausentes, além de outros casos, isolados, em todo o País. Ele afirmou que, na maior parte das reclamações, os estudantes que receberam provas com problema conseguiram trocá-las. O MEC irá tentar reverter a decisão da Justiça Federal do Ceará de suspender o Enem. O ministro disse ainda que não trabalha com a hipótese de anular o exame nem de refazer as provas para todos os inscritos.

A questão, aqui, é que pela segunda vez os problemas enodoam o exame que pretende substituir o vestibular no País. O que se verifica, antes de tudo, é que o Inep se mostra completamente despreparado para aplicar as provas em 3 milhões de estudantes. Depois do vazamento do ano passado e dos erros deste ano, cabe ao Ministério fazer uma nova avaliação do Enem e de todo o seu processo. Enquanto o Ministério da Educação e o Inep não conseguirem elaborar uma prova livre de erros, o Enem continuará alvo de suspeitas.

Buscar modelos e soluções em outros países é um dos caminhos. Mas o principal é admitir que o Exame Nacional do Ensino Médio não pode continuar a apresentar erros de nenhuma espécie. Em se tratando do que é e para o que serve, essas falhas já se tornam desmoralizantes.

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