Exposição online: saiba lidar com o fim de um relacionamento na web


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Com o fim de um relacionamento, a auxiliar administrativa Cíntia Lima usou sites da internet para cutucar o ex, mas depois viu que esse não era o caminho
Com o fim de um relacionamento, a auxiliar administrativa Cíntia Lima usou sites da internet para cutucar o ex, mas depois viu que esse não era o caminho

Com a oferta de tantas redes de relacionamento online, não falta espaço para que pessoas com o coração partido expressem os mais diferentes tipos de sentimento através da web. Há de tudo: desde usuários que postam em suas páginas pessoais frases de cunho depressivo, lamentando a perda da pessoa amada, até aqueles que fazem de blogs, Orkut, Facebook, Twitter e outros sites uma vitrine para “gritar” para o ex e o mundo que está mais feliz agora, ainda que isso nem beire a verdade.

Sem contato pessoal próximo com o ex, a auxiliar administrativa Cíntia Lima lançou mão da rede de computadores para “cutucar” o rapaz que mora a mais de 400 quilômetros de Franca. Eles se conheceram pela internet, o relacionamento se concretizou na vida real e, com o fim do romance, a web voltou a ser protagonista entre os dois.

Cíntia conta que no MSN seu nickname sempre remetia a ideia de ela estava feliz, e no Orkut, as fotos de baladas - algumas tiradas propositalmente para este fim - predominavam. “Como não dá fazer ciúme pessoalmente (pela distância), indo aos lugares que ele frequenta, usava o Orkut e o MSN. Mudei meu nick para a expressão ‘irritantemente feliz’. Sempre que eu via que ele estava online, colocava algo desse tipo”. Mais que para se expressar, Cíntia também usava a rede para espionar o ex. “Via o Orkut dele todos os dias”. Com o tempo, ela foi percebendo que não queria mais viver assim. “Eu mesma comecei a não querer ficar na internet porque estava me fazendo mal. Acho que era uma atitude infantil”.

As atitudes de Cíntia, segundo a psicóloga clínica de adolescentes e adultos, Renata Salomão, se vividas por um curto período de tempo, não ocasionam problemas. Mas se persistirem, a pessoa pode passar a vivenciar um processo nocivo. “Por um curto período de tempo, tudo bem. Se você ficar botando sem parar que está feliz, provavelmente é porque não está querendo entrar em contato com a dor. Mas se for como a moça (Cíntia) não há problema”.

Bloquear ou deletar a pessoa da sua lista também não é a melhor solução. “Esse bloqueio não é na internet que deve ocorrer. O bloqueio tem que acontecer na vida real”.

A psicóloga orienta que quem está muito sentimental deve ficar atento para conter seus níveis de exposição. “O problema da internet é que vários sentimentos que deveriam ser de ordem íntima estão se tornando públicos e o jovem, cada vez menos, não consegue fazer essa distinção, já que hoje, mais do que nunca, vivemos no mundo do espetáculo - se é tragédia ou comédia não importa. Essa exposição pode indicar uma fragilidade do mundo interno”.

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