Tendo em vista os grandes problemas enfrentados pelo ensino público no País — e são particularmente preocupantes no Estado de São Paulo —, Franca não pode ficar calada diante do fechamento de sete escolas estaduais na cidade, entre elas duas tradicionalíssimas (‘Coronel Francisco Martins’ e ‘Caetano Petráglia’), responsáveis pela alfabetização de muitas gerações de francanos. Embora a Coordenadoria de Ensino do Interior (órgão da Secretaria de Educação de São Paulo) tente colocar um verniz nesta notícia triste e desalentadora, o fato é que não negou de forma veemente o que já se tem publicado: em três anos sete escolas da cidade estarão fechadas aos estudantes francanos de 1ª a 4ª séries. Em 2013, perderão as suas atribuições atuais e, qual será a destinação efetiva dos prédios, ainda é um mistério.
Desta forma, o Estado busca forçar uma municipalização do ensino, deixando para a administração a responsabilidade pela alfabetização dos pequenos francanos em seus primeiros anos. Não convenceu a fala de Rubens Antônio Mandetta, da Coordenadoria de Ensino, ao dizer que as escolas serão readequadas, que não serão fechadas e que a dirigente regional de Ensino, Ivani de Lourdes Marchesi de Oliveira, se equivocou ao anunciar o fechamento. Não convenceu por uma razão simples: as escolas não estão, de fato, recebendo matrículas de forma que, gradualmente, até 2013, não terá mais nenhum aluno inscrito, isso significa o encerramento das atividades. Como já vem acontecendo nos últimos anos com o ensino público no Estado, as decisões são tomadas unilateralmente e prejudicam pais, alunos e professores. A pergunta que fica é: por que Estado e Prefeitura não entraram num acordo para se prepararem para a nova situação, sem a necessidade de acabar com sete estabelecimentos de ensino ainda hoje referenciados na alfabetização em Franca?
Ainda falta uma explicação que coloque um fim nesta questão. É incompreensível porque numa área como a da Educação as ações são tão permeadas de desencontros e ausência de explicação. Afinal de contas, o que está sendo feito? Por que não houve uma comunicação prévia, clara e integral aos maiores interessados? Não fosse a denúncia dos pais e, posteriormente, a declaração da dirigente regional de Ensino publicada pelo Comércio, o assunto continuaria sepultado sob uma camada de silêncio. A continuar deste jeito, Franca corre o risco de ver encolher o número de vagas nas escolas estaduais ‘por debaixo dos panos’. E não vai aparecer ninguém, a não ser a imprensa, que grite contra? É um assunto sério, grave, que não pode simplesmente ser enfiado goela abaixo de pais e estudantes. Ao contrário da famigerada progressão continuada (que já aprovou estudantes que não sabiam ler nem escrever), cuja implantação também foi unilateral e ninguém fez nada para impedir, desta vez não se pode calar. Começamos hoje mais uma semana e é de se esperar que durante ela tenhamos posições sérias e firmes das autoridades, respondendo com clareza e firmeza, principalmente à preocupação dos pais das crianças em processo de alfabetização.
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