Novas lideranças


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Se os partidos de oposição não se organizarem e aceitarem o surgimento de novas lideranças, podem ir se preparando para mais uns 16 anos do PT na Presidência da República.

A maioria dos políticos de oposição ao governo sabia de antemão que o candidato José Serra não era o melhor candidato à presidência. Porém, em troca de um projeto pessoal, ignoraram e não aceitaram que o candidato natural seria Aécio Neves. Passadas as eleições os partidos políticos têm que analisar os resultados e aceitarem que há novas lideranças. Que os partidos não possuem donos e devem discutir como surgem os candidatos. Quais os processos que envolvem a seleção daqueles que estarão expostos na acirrada disputa eleitoral como dignos representantes e merecedores do voto da população? Por que um determinado candidato com determinadas características se apresenta no contexto frente a outro candidato? E o mais importante: como a instituição partidária determina as regras que viabilizam ou não determinada candidatura? A situação que envolve o surgimento de um candidato é pouco analisada em ciência política que, a propósito, é ministrada nos cursos de Direito somente sob o aspecto filosófico e não contemporâneo como deveria ser.

Os partidos políticos deveriam se pautar pela escolha racional de candidatos preparados para a batalha eleitoral e não perderem suas ideologias, suas identidades, aceitando que a ‘ambição individual’ se coloque acima dos objetivos partidários racionais. Não é porque determinado político possui como ‘sonho’ ser presidente da República, governador ou prefeito que, em razão de sua idade, o partido deva indicá-lo, ignorando que o momento político talvez necessite de outro nome de alcance nacional, mesmo que jovem. Nesse sentido, o PT liderado pelo presidente Lula, deu um verdadeiro ‘baile’ nos adversários que esperavam disputar as eleições com os velhos ‘caciques’ do PT e não se prepararam para enfrentar um novo nome surgido no cenário político.

As mesmas observações cabem para os partidos locais que já se preparam para as próximas eleições municipais. Não adianta tentarem modificar o perfil de um candidato. Existem os que se encaixam no perfil do legislativo (vereador) e não apresentam condição de figurarem como candidatos ao Poder Executivo (prefeito), além daqueles que não possuem nenhuma empatia com o eleitor.

FECHAMENTO DE ESCOLAS
Para nós que estudamos no então ‘Grupo Escolar Coronel Francisco Martins’ foi com muita tristeza que ficamos sabendo da decisão – quase unilateral – de encerramento de suas atividades até 2013. Obviamente que as justificativas de cumprimento ao dispositivo constitucional têm que ser consideradas, mas os dirigentes do ensino também têm que analisar a aplicação de outras duas prescrições constitucionais: a primeira, quando trata em seu artigo 18, da organização política e administrativa do Estado brasileiro, que determina a autonomia municipal; e a segunda, no artigo 30, inciso VI, que atribuiu competência aos municípios para manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado. Dessa forma não basta dizer que a competência é somente do município.
O processo de municipalização do ensino vai muito além do que imaginam alguns dirigentes. Sem a contrapartida financeira do próprio Estado e da união, não existe tal possibilidade, pois somente com contratação de pessoal a prefeitura irá extrapolar os limites máximos permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Os dirigentes estaduais também têm que saber que a queda na procura pelo ensino de primeira à quinta séries irá ocorrer em razão da diminuição do número de filhos, pelo controle de natalidade praticado hoje pelas famílias, porém não é encerrando atividades que o ensino irá melhorar. As escolas anunciadas a encerrar atividades, podem sim, auxiliar e muito na redistribuição do número de alunos em salas de aula. Infelizmente num país onde dirigentes da educação se preocupam muito mais com números do que com o ensino propriamente dito, não podemos esperar boas coisas como perspectiva de futuro para nossa juventude. Coisas do Brasil!

NOVA CPMF
Passada a campanha eleitoral as promessas começam a ser esquecidas. Para quem declarou que não haveria aumento de impostos, aceitar que sua base aliada, PSB, apresente projeto ‘ressuscitando’ o chamado ‘imposto do cheque’ é um absurdo. Mas como fazer frente aos gastos além da conta que o governo efetuou para viabilizar a candidata? Nada como um dia atrás do outro.

 

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -

toninhomenezes@comerciodafranca.com.br

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