Aproximadamente 4,6 milhões de inscritos farão o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) hoje e amanhã. Aplicado pela primeira vez em 1998 com o objetivo de possibilitar referência para autoavaliação dos estudantes concluíntes e egressos do ensino médio, passou por reformulações no decorrer desses 12 anos. A última, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), tem como principais objetivos democratizar as oportunidades de acesso às vagas federais de ensino superior, possibilitar a mobilidade acadêmica e estimular a reestruturação do currículo do ensino médio.
O ENEM, já consolidado no País, procura agregar funcionalidade e criar oportunidade histórica para a ressignificação do ensino médio, pois sua estrutura o aproxima das Diretrizes Curriculares Nacionais e dos currículos praticados nas escolas sem abandonar o modelo de avaliação centrado nas competências e habilidades. A prova continha 63 questões de múltipla escolha e uma proposta de redação. Tal formato, reformulado em 2009, ampliou o número de questões de múltipla escolha para 180, divididas nas quatro grandes áreas do conhecimento: Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias, além de uma proposta de redação.
Mesmo depois das falhas estruturais e operacionais ocorridas no ano anterior, a adesão do ENEM pelas universidades federais teve um aumento considerável. E muitos especialistas já consideram o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) do MEC (Ministério da Educação) um avanço. Nesse sistema, as universidades informam quantas vagas têm disponíveis para cada curso e qual é o peso que cada uma das grandes áreas terá na nota final do aluno. Uma das melhores universidades do país, a UFSCar(Universidade Federal de São Carlos) deu adeus a seu vestibular e vai selecionar seus calouros apenas pela nota do ENEM, mas deve sofisticar o exame, dando pesos diferentes a áreas conforme o curso. Um outro benefício proporcionado pelo ENEM é o ProUni (Programa Universidade para Todos), pois, desde 2004, o Ministério da Educação vinculou a garantia de bolsas integrais ou parciais em instituições particulares ao bom desempenho no exame. É importante lembrar também que o INEP divulga todo ano um ranking mostrando os resultados do ENEM das escolas públicas e particulares de todo Brasil. Muitas instituições particulares têm usado esse resultado nas campanhas de marketing.
O ENEM é uma alternativa importante para substituir o caráter formalista do vestibular e trazer novo significado e renovação para o ensino, além de democratizar o acesso ao ensino superior. A adoção de um sistema de vestibular unificado tem motivado importantes reflexões sobre a lacuna existente entre o que o ensino médio oferece e o que as universidades exigem dos alunos que buscam ingressar nas instituições de ensino superior. Resta-nos torcer para que tenhamos avanços significativos no sistema educacional brasileiro, com as universidades contribuindo cada vez mais para o desenvolvimento do ensino básico. Boa prova a todos!
Camila Beghelli Schirato
Professora, especialista em Educação, conselheira deste jornal
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