Tarefas da Dilma


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A presidente eleita Dilma tem algumas tarefas de extrema importância para desenvolver no seu governo. Ao contrário do presidente Lula, que assumiu um país fragilizado economicamente, com baixa credibilidade internacional e com uma classe capitalista que o olhava de forma desconfiada, Dilma herda estrutura política social melhor definida e uma conjuntura econômica nacional mais positiva.

Em seu primeiro ano de governo terá certas facilidades políticas e econômicas, mas lidará, também, com pressões pontuais que poderão até levar a uma precipitada frustração em alguns setores sociais. Como exemplo de pressão nota-se a ansiedade de representantes da economia brasileira por uma imediata reforma tributária. Sou partidário da urgência dessa reforma, mas temo que haja expectativas exageradas. Qualquer empresário gostaria de ver uma redução drástica dos impostos e tributos pagos na produção, entretanto, nenhum governo faz investimentos sem obter e manter recursos, portanto, a reforma deverá ser bem negociada. O Brasil tem, atualmente, a sua competitividade internacional prejudicada pela fragilidade do dólar, causada por fatores conjunturais externos mas, também, por resultados positivos na política econômica do governo Lula como, por exemplo, a confortável reserva cambial de quase 300 bilhões de dólares. Moeda é commodity e, como tal, tem seu valor definido por uma lei básica do mercado: a lei de oferta e procura. Mais dólares no País, menor o seu valor.

A redução dos impostos incidentes sobre a cadeia produtiva poderá estimular a competitividade internacional dos produtos brasileiros. Sabe-se, também, que nosso regime tributário é socialmente injusto porque encarece a vida do assalariado.

O Presidente Lula, contrariando as expectativas da aristocracia brasileira (que o julgava - e ainda julga - inculto e sente vergonha de ter um presidente sem formação universitária) entrega à sua sucessora um País praticamente de classe média e, portanto, ávido em consumir. Esse aspecto positivo da atual economia nacional leva à necessidade de uma política efetiva, e de alto custo, que priorize a infraestrutura nacional e, agilizar as obras do PAC, outra tarefa da Presidente para que o País continue aumentando sua produção industrial e agrícola e, ao gerar empregos e riquezas, combata o que ainda há de miséria e exclusão social no Brasil

Outra tarefa árdua da Presidente, resolvendo um atraso histórico, é a de prover o País com investimentos significativos na área de transporte público municipal garantindo a mobilidade da população economicamente ativa. Esse transporte tem que ser de qualidade e barato, pois, caso contrário, agravaremos o caos urbano com o contínuo aumento do transporte individual. O mesmo acontece com a estrutura do transporte nacional de passageiros que está crescendo com o aumento das viagens de turismo e de negócios e que sofrerá, ainda, um enorme impacto com os jogos da Copa e das Olimpíadas.

Finalmente, acredito que a sua mais significativa tarefa será a de garantir que a enorme riqueza a ser obtida com a exploração do pré-sal seja, efetivamente, investida na educação, conforme a proposta original do Presidente Lula. Fazer isso será a garantia de um olhar sério, e de mãe, sobre o futuro do Brasil.

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário

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