Quando se imaginava que os atuais vereadores da Câmara de Franca teriam uma nova postura ao ocupar o novo prédio do Legislativo geograficamente distante da Prefeitura Municipal, capaz lhes permitir uma atuação com maior independência -, vemos que nada mudou. Em menos de uma semana, deram mostras de que não há, pelo menos na atual Legislatura, uma preocupação genuína em trabalhar de forma cuidadosa em defesa da comunidade francana. Em duas recentes ocasiões, demonstraram despreocupação para com a coisa pública e desleixo por suas próprias atribuições. Na semana passada, em que pese a manchete do Comércio e do site do GCN Comunicação anunciando o fato, os componentes da Câmara deixaram de comparecer ao anúncio do projeto de lei propondo alterações no Código de Posturas do Município. Estas determinavam ampliar o valor da multa e fechamento de bares que venderem bebidas alcoólicas para crianças e adolescentes. O prefeito fez o anúncio em seu gabinete, mas não havia nenhum vereador no local para acompanhar o fato - para entrar em vigor, a medida precisa ser aprovada pela Câmara. Pela importância do projeto, eles deveriam comparecer em peso ao Gabinete do prefeito.
Por incrível que possa parecer, anteontem estes mesmos vereadores voltaram a demonstrar este desinteresse pelo que eles mesmos votam? Sem saber exatamente o que estava sendo discutido, aprovaram na quarta-feira a concessão de diplomas de honra ao mérito para todos os parlamentares que passaram pelo Poder Legislativo de Franca desde sua implantação há 186 anos. A homenagem também se estende a eles mesmos e pode custar até R$ 28 mil aos cofres públicos. O requerimento foi apresentado pelo Pastor Otávio (PTB) mas, depois de sua aprovação, os vereadores mostravam desconhecer o teor da matéria. Como é de praxe, durante a sessão o presidente do Legislativo apenas lê número, síntese do assunto e nome do autor do requerimento. Ao mesmo tempo, os vereadores batem papo, tomam cafezinho, lêem jornais e conversam com assessores e com quem estiver no plenário.
E isto acontece em todas as sessões: depois da apresentação, como ninguém se coloca contra, a proposta é aprovada. Como se pode ver, não há vereador que se preocupe em ler tudo o que integra a ordem do dia da sessão, onde todos os requerimentos estão em sua forma original, como foram apresentados pelos autores. Bastaria ler com atenção a ordem do dia para saber com exatidão o que discutir. Porém, não há esta preocupação. O interesse maior, como se vê nos dois exemplos acima, é com as coisas pessoais. Esta homenagem - cujo mote seria a ‘conquista’ do novo prédio do Legislativo - é dispensável e seu custo vai sair do bolso do contribuinte. Será que os edis estão dispostos a se cotizar para não organizar a festa com o bolso alheio? É uma pena que nossos legisladores continuem sem atinar para problemas realmente sérios que afligem a população francana, insistindo em láureas que nem fazem muito.
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