Um grupo de cerca de 20 ciganos instalado em um acampamento no Recanto Elimar e Residencial Dourados está mudando a rotina tranquila do bairro. De acordo com denúncias feitas por moradores das imediações, desde que os novos “vizinhos” se mudaram, há quase duas semanas, não há mais paz no local. Eles ameaçam quem não quer pagar para que eles leiam a sorte ou não aceita dar doações de roupas, sapatos e comida, colocam fogo na mata e usam o campo de futebol do bairro (ao lado do acampamento) para fazer manobras perigosas com os carros.
O terreno onde os ciganos estão alocados, na Rua Cristina Célia Motta, pertence à Prefeitura. O grupo não tem autorização para permanecer no local. Além disso, a área é próxima a Creche Futuro Feliz, o que tem trazido mais insegurança aos pais das crianças do bairro. Segundo Lídia Patrícia, que reside na Rua Gisele Capel Dias, um quarteirão acima do acampamento, esta não é a primeira vez que ela tem como vizinhos os ciganos. “É sempre a mesma coisa. Eles vêm, tomam as ruas, nos pedem as coisas e, quando não damos, nos ameaçam. Outro dia vieram três aqui e brigaram comigo porque eu não deixei eles entrarem para tomar água gelada. Eu tenho dois filhos pequenos e temo por eles, que não podem nem brincar em frente de casa, como faziam antes”, disse.
O filho mais velho de Lídia, de 14 anos, costumava jogar futebol todas as tardes no campo de terra do bairro, mas, desde que os ciganos apareceram, não tem mais a mesma rotina. A mãe tem medo do que pode acontecer e tranca as crianças com ela em casa. “Eles dão ‘cavalo de pau’ na terra deles (os filhos) brincarem e ninguém tem coragem de enfrentá-los. Alguém tem que tomar providência”, indigna-se a mulher.
Maria Inês Ferreira dos Santos, que mora no Elimar há 13 anos, foi viajar no último feriado, mas não teve coragem deixar sua casa sozinha por quatro dias e pediu que a filha ficasse no local. “Eles nunca me roubaram, mas estão sempre vigiando, vendo que horas a gente sai e volta para casa. Eu não confio”.
A dona de uma banca de pesponto próximo ao acampamento, Edilaine Reis dos Santos, mãe de três filhos - de 8, 11 e 15 anos - também mudou a rotina da sua família por conta dos novos vizinhos. Suas crianças andavam de bicicleta perto de casa, jogavam futebol no campo do bairro e ela trabalhava na garagem da residência com o portão aberto. Hoje ninguém faz isso. “Na terça-feira, fomos tomar sorvete à noite e, quando voltamos, pegamos um dos ciganos olhando dentro do muro do meu vizinho”, diz a pespontadeira.
Segundo a soldado Karina Silveira da Fonseca, do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), nas últimas semanas não foram registrados crimes no Residencial Dourado ou Recanto Elimar, cuja responsabilidade tenha sido atribuída aos ciganos, mas a segurança não é a única preocupação de quem vive no bairro. Como não há energia elétrica onde estão acampados, fogueiras são acesas para fazerem comida e para se aquecerem à noite, o que é proibido em áreas como aquela, de preservação ambiental.
A reportagem tentou falar com os ciganos na quarta-feira e na quinta-feira, mas eles não quiseram conceder entrevista, alegando que somente o líder do grupo, identificado como André, poderia autorizar que falassem e este não estava em Franca. De acordo com os próprios ciganos, eles são “cidadãos do mundo” e devem permanecer no endereço por, pelo menos, mais 20 dias.
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