Estavam certas


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E não é que as pesquisas estavam certas? Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, acabou se tornando a primeira mulher a se eleger Presidenta do Brasil com um percentual de votos bem próximo daquele apregoado pelos principais institutos de pesquisas. Em seu primeiro pronunciamento após o TSE reconhecer a sua vitória, foi enfática no sentido de destacar que o seu governo procurará diminuir as diferenças sociais e econômicas, dando ênfase ao Programa de Aceleração do Crescimento, à estabilidade da moeda e à garantia de emprego. No plano social, fez questão de destacar a sua opção pelos menos favorecidos. É meta sua garantir teto e comida na mesa de todos os brasileiros.

Durante o discurso chegou a se emocionar quando agradeceu o Presidente Lula pelo apoio incondicional, pontuando que sempre que for necessário baterá à sua porta, pois reconhece nele a figura de estadista e de homem público de alta envergadura. O pronunciamento dela, há que se reconhecer, chegou a emocionar muitos brasileiros, mesmo alguns que nela não votaram. O dia depois das eleições desencadeia, porém, algumas importantes reflexões. Quem mais perdeu e quem mais ganhou com o resultado das urnas? É inegável que o Presidente Lula é o maior vencedor. Fez sua sucessora, candidata sem qualquer experiência eleitoral e, convenhamos, com pouquíssimo carisma político, além de ostentar um passado e algumas convicções que não agradam alguns setores da sociedade, especialmente os mais conservadores.

Por outro lado, Lula derrota pela terceira vez consecutiva o PSDB e pela segunda vez José Serra que encarnou, nesses últimos anos, a figura de opositor maior de Lula. É provável que Serra tenha perdido a última oportunidade de chegar. Em 2014 já terá idade que dificultará nova tentativa. Ademais, estará sem mandato e sofrendo forte concorrência de Aécio Neves, político que se credencia como principal postulante ao cargo pelo PSDB.

Dilma também sai fortalecida do pleito. seu governo terá uma confortável maioria no Congresso Nacional, maior que a de Lula. O desafio colocado a ela é de saber conviver harmoniosamente com essa maioria. Sabe-se que ela tem ‘pavio curto’ e foi cevada na truculência. Porém, novos tempos e novos desafios, aliados à maturidade própria da idade, podem revelar uma Dilma mais negociadora e mais conciliadora, que consiga dialogar com os partidos, especialmente os de oposição. O temor de alguns de que Dilma possa fazer no Brasil algo parecido com o que Hugo Chaves tem feito na Venezuela não me parece possível e nem provável. O Brasil tem um cenário econômico, político e social diferente da Venezuela. Penso, porém, que a grande vencedora no embate político foi a democracia, cada vez mais amadurecida no Brasil. As eleições transcorreram dentro da mais absoluta ordem, não obstante o clima tenso e algumas vezes até bastante duro da propaganda eleitoral. A partir da posse dela torço, sinceramente, para que o maior destinatário do resultado das urnas seja o País. Que ela consiga colocar em prática seu plano de governo, diminua as desigualdades com garantia de trabalho a todos. O Brasil tem que sair do assistencialismo e com isso colocar em prática os versos de Luiz Gonzaga: ‘Uma esmola para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão’.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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