As garagens das casas de Franca estão mais cheias. Dados preliminares do Censo 2010 e do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) revelam que cada domicílio da cidade possui em média quase dois carros (1,65). A frota de veículos do município atingiu 176.783 unidades em agosto deste ano e já ultrapassa o total de residências. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de Franca, em 2010, o Censo contabilizou 107 mil domicílios francanos.
Vendedor no ramo há 13 anos, Uenderson Zemlenoe acredita que a tendência é as famílias ampliarem o número de veículos. Na Automec, concessionária em que trabalha, de cada dez clientes que atende, seis querem comprar mais um carro e não substituir os que já possuem. “Vim de outras cidades com lojas nossas onde há muitas trocas. Em Franca, dos 100% de vendas que tenho, 60% estão comprando, e 40% trocando. O filho fez 18 anos e o pai acaba adquirindo um carro para ele”, disse Uenderson, gerente do setor de seminovos. A loja comercializa em média 120 veículos por mês.
Para Uenderson Zemlenoe e o proprietário do Karlos Automóveis, Carlos de Oliveira, que atua no setor há 22 anos, o principal motivo para o aquecimento das vendas de carros é a facilidade de crédito oferecida nos últimos anos. O bom momento econômico atual impulsiona ainda mais os negócios no mercado automobilístico. “As empresas estão na ativa, com produção aquecida, há alta geração de emprego e o cliente tem possibilidade de financiar 100% o carro. Com crédito, as pessoas compram. Aos 18, 19 anos, o jovem já trabalha e tem condições de assumir a prestação de um carro porque os juros e valores estão bem mais acessíveis”, disse Carlos. Na loja dele, mais da metade dos consumidores querem adquirir mais um carro e não trocar o antigo.
A família do advogado Carlos Fernandes, 59, supera a média do município. Os três motoristas da casa - ele, a mulher e um dos filhos - contam com cinco carros. Colecionador, Carlos ainda possui 15 automóveis antigos (leia mais nesta local).
O economista Antônio Vicente Golfeto atribui a evolução da frota de veículos francana ao “binômio crédito e renda” e a uma mudança de comportamento vivida nas últimas gerações. “Sou sexagenário e na geração do meu avô e dos meus pais, a prioridade era ter casa. Já na minha geração começou a ter prioridade o veículo. E a geração dos mais novos é o computador e, fundamentalmente, o celular”.
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