Muito prazer em devorar livros


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Cristiane Barbosa Rezende começou a ler quando ainda era criança e hoje é uma devoradora de livros
Cristiane Barbosa Rezende começou a ler quando ainda era criança e hoje é uma devoradora de livros

Tão prazerosas quanto ver os resultados dos serviços que Cristiane Barbosa Rezende realiza como assistente social são as viagens que ela faz enquanto leitora. “Digo que leio desde quando aprendi a ler. Fiquei encantada”, disse a francana, que não consegue nem imaginar quantas obras já passaram sob seus olhos e pelo crivo de sua interpretação. Ela está entre as pessoas que “devoram” livros e engordam as estatísticas que apontam jovens como os mais potenciais leitores.

Desde que leu O amor é um pássaro vermelho (de Lucília Junqueira de Almeida Prado, em 1982), quando ainda bem criança, Cristiane foi multiplicando o gosto pela leitura. Ela compra, pega emprestado, retira em bibliotecas. Avessa ao que chama de livros da moda, a assistente social está atualmente agarrada ao Intermitências da morte (de José Saramago, 2005, Companhia das Letras). “Para me atrair, o livro não precisa estar entre os best sellers do momento. Não me importo em lê-los depois que saem do auge. A maioria dos que leio é de autores que eu já gosto ou porque são indicados”, disse.

Como boa devoradora de livros, Gabriel Garcia Márquez, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Agatha Christie são apenas alguns dos escritores que enriqueceram sua cultura e que podem ser dicas para quem quer integrar o grupo dos que fazem com que a seção infanto-juvenil de livros ocupe um lugar crescente na indústria livreira do Brasil.

Mais que ferramenta que traz consideráveis benefícios para o estudo e o desenvolvimento profissional, a leitura é também um dos grandes prazeres da vida que, quase sempre, começa na infância e hoje cativa 50 milhões de brasileiros, segundo a pesquisa “Retratos da leitura”, feita pelo Ibope. E, embora devagar, o número de leitores vem crescendo: 55% da população entrevistada afirmou ter lido ao menos um livro nos últimos três meses.

Professor, contista e romancista, Menalton Braff, 72, é um dos que sabem com maestria como contribuir para esse aumento. Ganhador, entre outras certificações, do Prêmio Jabuti - o mais importante da literatura brasileira (com a obra À sombra do cipreste, editora Palavra Mágica) -, há sete anos ele estreou na literatura juvenil com A esperança por um fio, um drama social envolvendo um adolescente, em texto que homenageia Ignácio de Loyola Brandão, lançado pela editora Ática.

“O livro voltado para o jovem tem que ter a cara dele, ele tem que se ver no livro. Esse é o modo de ele se identificar. Mas não basta ele se ver retratado, o livro tem que dar algo mais a ele. Outro esclarecimento que faço é que não se pode falar com uma linguagem muito adulta, mas também não se pode fazer concessões de gírias. A gíria é um tipo de linguagem que nunca permanece, fica velha”, afirmou Menalton, que vive em Serrana (SP).

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