Fábrica de mentiras


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Diz o ditado popular que ‘uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade’. Chegamos hoje ao fim de mais um processo eleitoral.

Não comentamos anteriormente a questão dos números apresentados durante todos os programas eleitorais no rádio e na televisão bem como nos debates entre candidatos, em razão de não querer polemizar questionando a veracidade dos números que foram apresentados, pois acreditamos não se tratar da realidade.

Na sociedade política atual, números e percentuais disso e daquilo são simplesmente ‘lançados’ aos cidadãos sem que nenhuma comprovação real seja necessária. Assim é muito fácil a manipulação eleitoral através de dados ‘mentirosos’ e falsos.

Descobrir a realidade do que foi investido e aplicado é uma tarefa complexa e delicada, haja visto que apesar da tão divulgada ‘transparência administrativa’ a verdade é que a maioria dos agentes políticos omite e manipula os dados.

Muitos leitores e alunos nos questionam o porque dos americanos pressionarem seus políticos a renunciarem a seus mandatos quando apanhados em casos extraconjugais. Na verdade, a questão não está somente na relação fora do lar, mas sim na revelação da mentira e da perda de confiança. O político, pleiteando um cargo público ou exercendo um mandato, deve ser alguém em quem se possa confiar totalmente, em razão de que será ele que tomará as decisões que influenciarão no modo de vida da população, que resguardará o patrimônio público etc.

Para nós brasileiros, a mentira frequente que deveria ser desqualificante moral para a ocupação de qualquer cargo público, como ocorre nos EUA, é aceita como algo normal para alcançar o poder. Durante a campanha eleitoral, tivemos um rol inesgotável de mentiras fabricadas pelo marketing político. Para eles o que interessa é que os números divulgados produzam impactos e despertem a atenção dos eleitores, independentemente se vazios de conteúdo, pois se é verdade ou não isso é mero detalhe.

Ora, como o cidadão pode confiar que os destinos do País estarão em ‘boas mãos’ e será bem administrado por políticos que durante a campanha eleitoral mentem descaradamente, com o objetivo único de enganar eleitores desatentos? Se na campanha eleitoral, políticos se cercam de mentiras intencionais, o que se pode esperar deles ao chegar ao poder?

O eleitor brasileiro, de forma geral, não se interessa pela política em si nem pelo funcionamento do governo, não querendo ‘gastar’ um pouco de seu tempo e atenção na busca de maiores conhecimentos sobre a política. Interessa-se somente pelo que ela (política) pode lhe oferecer. Por isso, na hora de votar, escolhe a alternativa que lhe parece trazer mais benefícios.

Sabedores disso, os profissionais do marketing político partidário induzem os partidos e os candidatos a abordarem superficialmente e sem a clareza necessária seus objetivos e programas de governo. Adaptam o horário eleitoral aos limitados conhecimentos da maioria dos cidadãos. Utilizando-se desta fórmula oferecem aos eleitores apenas mecanismos fáceis de interpretar e julgar o momento político a favor de seus ‘clientes’, digo, candidatos.

Finalizando, independentemente do que dizem os números das pesquisas e falem os candidatos no horário eleitoral, nós eleitores temos que observar atentamente as propostas, os programas de governo e principalmente a capacidade de cumpri-las. Aconteça o que acontecer temos sempre que estar em busca do sonho do governo ideal. E que Deus nos ilumine e proteja.

PESQUISAS ELEITORAIS
Trata-se de tema polêmico. Constantemente há comentários sobre suspeitam de tentativas de manipulação da opinião pública principalmente em relação àquelas pesquisas divulgadas poucos dias antes do pleito eleitoral. Revelando qual o candidato mais bem colocado em relação aos outros, têm efetivamente o efeito de influenciar os eleitores ainda indecisos.
Em nosso país ainda há um agravante, que é o fato do voto ser obrigatório, Assim, inúmeros cidadãos somente vão às urnas por obrigação legal e não pelo exercício pleno da cidadania. Dentre estes que somente votam por que são obrigados, existe uma grande maioria que assim pensa: ‘vou votar em fulano, porque eu nunca perdi uma eleição’. Em minha humilde opinião pesquisas eleitorais deveriam ser proibidas no mínimo 15 dias antes da votação, no sentido de se preservar os cidadãos de qualquer influência na formação de sua convicção de voto. A propósito, há na Câmara dos Deputados vários projetos impondo limite às pesquisas eleitorais as vésperas das eleições.

BEBIDAS PARA MENORES
É triste saber que vereadores não compareceram à assinatura do projeto de Lei que altera o Código de Posturas do Município no sentido de penalizar com o fechamento os estabelecimentos comerciais que vendem bebidas alcoólicas a menores. Agora vamos ver como se comportam durante a votação do projeto.
Em nossa opinião a lei é positiva mas necessita vir acompanhada de grande campanha publicitária, inclusive divulgando números de telefones que podem ser acionados para denúncias, principalmente fora dos horários de expediente das repartições públicas e, obviamente, que tenha uma efetiva fiscalização.
A propósito, o Senhor Prefeito Municipal poderia aproveitar o momento e também apresentar projeto de lei que proíba a instalação de estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas próximos às escolas públicas e privadas, com uma distância mínima de 200 metros. Em nossa opinião, seria uma medida bastante salutar visto que muitos utilizam tais estabelecimentos para favorecem jogos de azar, é ali que o traficante fica fazendo ponto aguardando entrada e saída de alunos etc.

 

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -

toninhomenezes@comerciodafranca.com.br

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