Só 10% das casas estão desocupadas em Franca


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DIFÍCIL - Marta Beatriz dos Santos Ávila e sua família voltaram há três meses da Espanha para trabalhar e morar em Franca. “Foi muito difícil encontrar uma casa”
DIFÍCIL - Marta Beatriz dos Santos Ávila e sua família voltaram há três meses da Espanha para trabalhar e morar em Franca. “Foi muito difícil encontrar uma casa”

A cada dez residências em Franca, apenas uma está desocupada. Segundo dados preliminares do Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 2010, dos 107 mil imóveis residenciais da cidade, 10.756 estão vazios. Os números são reflexo do bom momento econômico vivido pelo município, principalmente a partir de meados desta última década. Em 2000, o cenário era diferente. A cada oito residências, duas estavam desocupadas. Das 80.601 mil casas registradas naquela época, 23.762 estavam vazias.

Para o professor universitário e economista Hélio Braga, os dados são reflexo da retomada econômica da cidade nos últimos anos. “Há uma década, a cidade passava pelo processo de reestruturação da indústria. O mercado de trabalho começava a reerguer lentamente, mas ainda com oscilações. A partir de 2006, houve uma expansão maior de crédito. As pessoas puderam aumentar seu poder de compra. O desenvolvimento, apesar de lento, e a chegada de novas empresas de diferentes ramos em Franca ajudaram a atrair mais pessoas para a cidade”, disse.

Segundo o economista, neste ano, o mercado de trabalho também teve uma reação atípica, com o surgimento significativos de novos empregos. Franca está entre os municípios que mais geraram empregos no Brasil. Até agora, foram 16 mil novos postos, 12 mil só na indústria. “O desenvolvimento econômico tem ajudado na fixação de residentes no município, atraindo um fluxo migratório de pessoas para trabalhar em Franca por causa das oportunidades que elas não conseguem encontrar em suas cidades de origem”, disse.

Alexandre Ferreira, secretário de Saúde e Desenvolvimento, concorda. “Franca está passando por uma sequência de crescimento em vários setores. Os francanos estão tendo mais ofertas de empregos e, consequentemente, maiores salários. Com estabilidade, eles possuem mais créditos, fazem mais financiamentos, podem comprar apartamentos, casas populares e investir na construção civil”.

O proprietário da Teixeira Imóveis, Luís Carlos Teixeira, destaca que apesar do “boom imobiliário”, o mercado não tem conseguido produzir em quantidade suficiente para suprir essa procura. “A demanda de pessoas que vem chegando na cidade e alta procura dos próprios francanos para comprar novos imóveis ainda é maior do que o crescimento do setor. Prova disso é que construímos muito, como nunca antes, o número de casas vazias foi tão pequeno”, disse.

A maior procura é por imóveis de um ou dois dormitórios localizados na região central ou próximo das faculdades.

DISPUTADOS
Com menos residências disponíveis, a procura por um espaço ideal para comprar ou alugar tem ficado cada vez mais acirrada. A operadora de caixa Marta Beatriz dos Santos Ávila, voltou há três meses da Espanha para trabalhar e morar em Franca. Quando chegou à cidade, a operadora de caixa assustou-se com os preços e a falta de opção de imóveis para sua família. “As exigências e os preços subiram muito nos últimos anos. Procurei em diversos lugares da cidade uma casa no perfil de dois quartos e garagem, mas não achava. Demorei vários dias até encontrar esse apartamento onde moro no Jardim Integração”, disse. 

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