Reitora afirma que Unifran não está à venda e anuncia investimentos


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EM BUSCA DE QUALIDADE - Rosalinda Chedian Pimentel tem 30 anos de experiência na área acadêmica e de gestão. Desde setembro passado, comanda a Unifran (Universidade de Franca)
EM BUSCA DE QUALIDADE - Rosalinda Chedian Pimentel tem 30 anos de experiência na área acadêmica e de gestão. Desde setembro passado, comanda a Unifran (Universidade de Franca)

Formada em economia e administração, Rosalinda Chedian Pimentel tem 30 anos de experiência na área acadêmica e de gestão. Trabalhou na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro; na Petrobras e, por último, na Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto). Natural de Ribeirão Preto, ela comanda desde setembro do ano passado a Unifran (Universidade de Franca). É a primeira reitora sem ligação com as famílias fundadoras da instituição que completou quatro décadas de existência.

Com 509 docentes, sendo 65% mestres e doutores, 417 funcionários técnico-administrativos e cerca de 14 mil alunos em 58 cursos de graduação, 50 de pós-graduação e 59 de educação à distância, a universidade, segundo Rosalinda, deu um passo rumo à profissionalização ao decidir por esta transição. “A reitoria era revezada entre os membros das famílias fundadoras e era um momento de profissionalização. Naquele instante, completava-se um ciclo de modificações de gestão dentro da Unifran”.

Sem sala reservada, a reitora divide um espaço do andar superior da administração da universidade com outros profissionais. É ali, numa área sem divisórias, cercada por livros, que Rosalinda toma as decisões sobre o futuro da Unifran. Diz saber de todos os boatos que circulam pelos corredores e descarta ter vindo para a instituição no intuito de “caçar bruxas” ou fazer um “limpa” entre os funcionários e docentes.

Para ela, os fundadores da Unifran não seriam “insanos” em colocar uma pessoa com interesse de derrubar o que está construindo para erguer de novo. Nesta entrevista, mostrou ter aceitado o desafio para “vestir a camisa” da universidade e trabalhar por mais resultados. Enfatizou, mais de uma vez, o desejo de agregar mais qualidade no ensino oferecido e de expandir o número de novos alunos.

Apesar de não citar valores, a reitora disse que as finanças da Unifran estão em ordem e justificou as demissões realizadas a um processo necessário para “otimizar os recursos humanos”.

Com currículos nas duas áreas (educacional e administrativa), diz ter um olhar crítico e clínico para analisar empresas, por isso, após ter tomado posse, providenciou um levantamento dos pontos fortes e fracos, traçou metas e começou a cobrar resultados. Sobre os planos de crescimento da instituição, afirmou estar a ideia de criar novos campi no Estado de São Paulo.

Sobre as notícias de que a instituição estaria à venda ou até mesmo vendida a uma empresa de Ribeirão Preto, Rosalinda Pimentel desmentiu e avisou. “O desafio da Unifran para 2011 é do patamar onde estamos para cima. Vislumbramos um horizonte muito positivo. A gestão da universidade está sadia e queremos cada vez mais qualidade”. 

Comércio da Franca - Como surgiu o convite para a senhora ocupar o cargo de reitora da Unifran?
Rosalinda Chedian Pimentel -
Não foi um convite. Na verdade, passei por um critério de seleção. O pessoal conta que havia candidatos de grande potencial vindos de outras instituições. Me convidaram para participar do processo seletivo, participei, fui feliz e acabei a escolhida. Creio que a minha escolha se deu pela bagagem acadêmica e de gestão acumulada em mais de 30 anos de trabalho.

Comércio - Logo que a senhora assumiu, muitos funcionários ficaram insatisfeitos com as medidas adotadas pela senhora. Houve algum tipo de confronto entre a sua administração e esses funcionários ?
Rosalinda Pimentel -
Não. Eles ficaram assustados com a matéria que vocês publicaram dizendo que estava acontecendo um processo de caça as bruxas. Como posso caçar bruxas se não as conheço? As pessoas estavam aguardando para ver quem eu era, quais as minhas formas de ação, como eu me posicionava em relação aos pares, mas vocês aceleraram o meu processo.Tive que adotar algumas ações que não estavam programadas.

Comércio da Franca - Gostaria de corrigi-la. Não publicamos nenhuma matéria falando sobre “caça às bruxas”. A matéria que publicamos no dia 11 de dezembro de 2009 dizia respeito à reestruturação nos quadros da Unifran, processo comandado pela senhora. No texto desta mesma matéria, um dos docentes acusa a senhora de promover a “caça às bruxas”. Havia um clima de apreensão entre os funcionários...
Rosalinda Pimentel -
Não, esse clima não existia. Havia um clima de expectativa, até porque havia uma vacância da reitoria. As pessoas estavam ansiosas para saber quem seria essa nova pessoa que ocuparia o cargo que antes pertenceu a Clóvis Cury. Se manteria o nível de cordialidade, civilidade de tratamento ou se seria uma pessoa que derrubaria tudo para construir novamente. Minha forma de trabalhar não é demolir para dizer que construi. Ao contrário. Queremos conduzir e melhorar o que tem dado certo. Agora o que está em excesso, a gente tenta alinhar.

Comércio - Mas a senhora implementou muitas mudanças assim que assumiu a reitoria...
Rosalinda Pimentel -
Quando assumi, fiz um levantamento em relação aos pontos fortes e fracos da universidade. Verificando quantitativos, a titulação dos docentes, se o programa de desenvolvimento institucional havia sido cumprido ou não e que tipo de novas ações a gente deveria adotar. Promovi um processo de reconstituição possível dentro da academia, tendo como objetivo a qualidade de ensino. As mudanças foram a elaboração do nosso plano de desenvolvimento institucional, a otimização dos nossos docentes e uma ampliação dos nossos sistemas acadêmicos. Tivemos um avanço substancial, uma modernização. Não porque sou eu a reitora, mas, sim, porque a equipe trabalha de forma coesa e estou tendo um respaldo do pessoal técnico administrativo.

Comércio - Em meio a este processo, quantas pessoas deixaram a Unifran?
Rosalinda Pimentel -
O que nós fizemos não foi pelo excesso. Somando os docentes e técnicos administrativos, somos em torno de mil funcionários. Deste total, saírem 20 naquela época. Foi muito pouco. Houve, sim, um remanejamento de pessoas. Funcionários que estavam numa área e percebemos que tinham capacidade e competência para outra sofreram esse movimento interno. Otimizando as pessoas que não estavam bem aproveitadas, que tinham capacidade para ser melhor aproveitadas e se sentirem reconhecidas e valorizadas. Foi esse o maior movimento que nós promovemos. Não foi o de corte.

Comércio - Esses 20 citados foram os demitidos, mas houve outras saídas.
Rosalinda Pimentel -
Houve aqueles que saíram por livre e espontânea vontade. Você passa em um concurso público e vai para uma federal, não tem como ficar aqui e lá. A sua opção vai ser a federal, por causa da estabilidade e da segurança.

Comércio - Houve também aqueles que não aceitaram o modo de trabalho da senhora e preferiram sair...
Rosalinda Pimentel -
Você sempre tem resistências quando você traz novas ideias e mudanças. É natural. As pessoas te olham meio de lado até percebem onde você quer chegar. Quando conseguem captar isso, somam forças. Mas não é só na Unifran. Se você me perguntar se 100% dos funcionários daqui estão felizes, eu respondo que não. Muita gente por aí não está, porque tem que trabalhar, dar resposta na velocidade exigida hoje pela empresa. Não estamos brincando, precisamos dar resultado, trabalhar com metas e desafios. Isso significa incômodo para muita gente.

Comércio - Para a senhora, as queixas não passaram de boataria. Por que sua gestão é cercada de tantos boatos negativos?
Rosalinda Pimentel -
Para criar uma onda de boataria, não precisa de muita gente. Até porque quando a pessoa está sem muita motivação, a cabeça começa funcionar num viés que foge do caminho de criação benéfica. Não acredito que o grau de descontentamento seja tão grande, senão os mantenedores não seriam insanos de me manterem aqui com a perspectiva de uma destruição da universidade. Se estão me mantendo é porque percebem que a gente está tendo sucesso. Não por mim, mas sucesso pelo trabalho, pela engrenagem como um todo.

Comércio - O diferencial da senhora como reitora está na cobrança de resultados?
Rosalinda Pimentel -
A gente precisa ter resultados, pois a concorrência ampliou muito. Éramos os únicos na região, hoje tem municípios com faculdades isoladas e os alunos ficam em dúvida. Precisamos ter diferencial. Se você analisar é um outro mundo, uma nova realidade. Você precisa trabalhar com metas e desafios. Temos procurado fazer tudo o que é possível para agradar os alunos, que é a razão de existir da universidade.

Comércio - Houve quedas no número de estudantes no último ano e como está a inadimplência?
Rosalinda Pimentel -
Pelo contrário. Nós aumentamos na comparação de 2009 com 2008 e também ao comparar 2010 com 2009. Tivemos uma melhoria, entraram mais de 300 alunos, além de repor os 1,8 mil formados. Queremos repetir esta performance para o próximo ano. Já sobre a inadimplência, ela continua alta. Estamos conduzindo de uma maneira adequada e tentando, dentro das áreas financeira e contábil, um acordo com os alunos. Temos esta preocupação. O aluno que entra, passa a ser adotado por nós, não queremos perdê-lo. A gente tenta de todas as formas possíveis preservá-lo conosco, embora ninguém está livre de ter dificuldades e ser obrigado a parar de estudar.

Comércio - Quais os planos da Unifran para 2011?
Rosalinda Pimentel -
Estamos com bastante ambição. Queremos desenvolver a área de Franca, no sentido de oferecer mais qualidade e conseguir maior captação de alunos. Estamos em processo de modernização da área de informática da universidade e da biblioteca. Faremos também uma modificação na grade curricular, no sentido de passar para um regime semestral. Os alunos que entraram até 2010 continuarão no anual. Os novos alunos entrarão no regime semestral. Vamos ainda fortalecer a nossa área de educação à distância. Estamos com 25 polos, isso significa uma expansão do nome da Unifran para todo o sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro, interior de São Paulo e litoral paulista.

Comércio - Para os cursos presenciais, há novidades?
Rosalinda Pimentel -
No momento, a gente até gostaria de criar novos campus, descentralizar um pouco. Manteríamos o campus de Franca e a ideia era criar outras unidades oferecendo alguns cursos conforme a região e o interesse, mas ainda não tive o sinal verde. Seria em outras cidades do Estado de São Paulo. Essa é a minha ambição, mas não dá para atacar todas as frentes ao mesmo tempo. Mas já em 2011, estaremos oferecendo quatro novos cursos: terapia ocupacional, engenharia de materiais, engenharia de transportes e o tecnólogo de sistemas de web, com enfoque em redes sociais.

Comércio - O projeto da vinda do curso de medicina foi abandonado?
Rosalinda Pimentel -
Não. Estamos movimentando. O processo está no Conselho Nacional de Educação, nas mãos do relator. A nossa expectativa é que ele faça este relatório até o fim do ano. A partir daí, teremos a informação do sim ou não. Quem sabe a gente consiga abrir o vestibular já para o próximo ano, em que pese a indecisão do momento. Precisamos aguardar as decisões dentro do próprio Ministério da Educação. Porém não vamos desistir. Este curso é muito especial, não pelo número de vagas (são 60), mas por trazer um acréscimo de qualidade. A metodologia adotada na proposta pedagógica é de estudos de casos. O aluno no segundo ano do curso começa a atuar junto com o paciente, aprende fazendo. É um professor a cada oito alunos. Com isso, os nossos profissionais sairão mais que qualificados.

Comércio - Qual o investimento da Unifran para todas estas novidades?
Rosalinda Pimentel -
É um investimento pesado da universidade. Realmente, estamos fazendo uma multiplicação dos pães. São várias iniciativas e nós temos que captar recursos, pois muitos projetos são bancados com recursos próprios. Houve um saneamento econômico financeiro pela instituição, mas agora é investir, porém o valor não tenho condição de fornecer. São somatórios de livros, de obras, de instalações. Tudo tem um valor de recursos que não tenho como informar, mas garanto ser um número robusto. Só na compra de livros foram R$ 200 mil.

Comércio -Apesar dos investimentos e dos planos de expansão, há o interesse de vender a Unifran?
Rosalinda Pimentel -
A Unifran não está à venda. O boato sobre a negociação tomou um vulto enorme. Já disseram ser uma empresa de Belo Horizonte, depois era uma de Ribeirão Preto que tinha comprado. Não há nada disso acontecendo. O que existe, na verdade, é uma instituição saudável. A Unifran está bem, tem uma marca forte com valor de mercado expressivo. A universidade tem um quantitativo de alunos (14 mil estudantes) que desperta o interesse e disso não tenho dúvida. Mas que estejamos vendidos ou até já entregues, não é verdade. Há pessoas que estão olhando, observando, mas as famílias dos fundadores não têm interesse na venda, caso contrário não estariam fazendo estes investimentos. 

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