A festa a que chamam Halloween domina a cena dos Estados Unidos durante todo o décimo mês do ano, com encerramento doce e ruidoso. No Brasil vem ganhando adeptos por conta das escolas de língua inglesa, que a comemoram reproduzindo parte dos costumes. Dizem que é uma das grandes festas do calendário americano. Se não a maior delas, com certeza a mais divertida. Estimula crianças e adolescentes a uma interação alegre com adultos. Muito integrada na cultura daquele povo, tem por ícones uma cor, o alaranjado, e um fruto pouco discreto, a abóbora, o mais expressivo símbolo daquela que entre nós ganhou o nome de Dia das Bruxas.
A explicação para a origem da festa lateja na história e no folclore. Sob a perspectiva da primeira, a comemoração começou antes da era cristã. Nesta data os irlandeses celebravam a reunião das almas que voltavam para o ano novo dos druidas, antigos sacerdotes. Do âmbito do folclore, conta-se que um certo Jack, sujeito muito debochado, passou a vida desafiando o Diabo. Quando morreu, foi condenado a carregar eternamente uma vela para iluminar o caminho que deveria percorrer. Com a intenção de espantar o fantasma de Jack e todos os males dos espaços obscuros, as pessoas usam abóboras, abundantes nesta época pós-colheita. Nelas esculpem caveiras, colocando dentro alguma iluminação, transformando-as em um tipo de espantalho, os jack-o-lantern, instalados nos jardins, janelas, portas e entradas de casa durante toda a noite. Ao lado deles aparecem suas coadjuvantes, as bruxas, remexendo enormes caldeirões. Abóboras, caldeirões, alimentos e fogo só tinham de dar na cozinha, de onde saem as tortas e outras preparações como bolos e biscoitos em formato de morcegos, gatos, fantasminhas. Também irrompem outras iguarias que recebem nomes engraçados.
O ponche de sangue, feito com morango, groselha, goiaba ou qualquer outra fruta vermelha; as coxinhas de rã, modeladas em marzipã; os dedos mortos, biscoitos de leite passados em açúcar; as bolachas de cérebro, que têm decoração homônima; os olhos de morcego, docinhos que lembram globos oculares... Como se percebe, os doces são importantes, pois esta é uma festa muito mais de açúcar que de sal. As crianças saem pelas casas da vizinhança e pedem “tricks or treats” - travessuras ou gostosuras. Se ganham, agradecem; caso contrário, fazem alguma estripulia em revanche. Para não passar por desagradáveis, adultos compram ou preparam com antecedência os doces para oferecer a quem bater à sua porta, geralmente fantasiado. Pois é, este é na verdade o Carnaval deles.
A torta de abóbora, imprescindível no Halloween, é muito fácil de fazer. Para dar a ela um gosto brasileiro, acrescentei coco ralado e retirei o gengibre, pois os dois sabores me parecem incompatíveis. Na receita original, o purê de abóbora que recheia a torta é temperado com leite condensado, canela, noz-moscada e gengibre. A massa pode ser comprada pronta. Eu usei a mesma que faço para a Tarte Tatin e sempre dá certo. Quer experimentar? Vamos lá!
Comece pela massa. Se tiver de preparar, faça assim. Peneire a farinha de trigo numa tigela e faça um buraco no meio. Junte a manteiga em pedacinhos, o açúcar, a água gelada, o ovo.
Amasse com as pontas dos dedos até dar liga e virar uma bola. Sove por cinco minutos. Leve à geladeira por meia hora. Enquanto isso faça o recheio. Com antecedência asse uma abóbora, deixe esfriar, retire toda a polpa e amasse (congele o que sobrar para próximos usos). Misture o leite condensado, os ovos, a canela, a noz-moscada, a pitada de sal, o gengibre (ou o coco).
Abra a massa com o rolo, forre uma forma redonda ( 23 cm) com aro removível, despeje o recheio, leve ao forno quente por 40 minutos, mais ou menos. Estará pronto quando dourar e ao espetar um palito este sair limpo. Desenforme depois de bem frio. Cubra com açúcar e canela. Decore a seu modo.
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