Mesmo com obrigatoriedade prevista no Código de Trânsito Brasileiro, o uso do cinto de segurança no banco de trás é pouco popular no país. Principalmente por falta de conhecimento das consequências que a não utilização do dispositivo pode trazer, os 88% de ocupantes que utilizam o cinto de segurança dos bancos dianteiros encolhem para 11% no banco traseiro. Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o uso do cinto de segurança pelo condutor e passageiro do banco dianteiro reduz o risco de morte em torno de 40% a 50%; já no banco de trás, esse risco é reduzido em até 75%. Segundo especialistas, a insistência em dispensar o cinto na parte traseira dos automóveis reside na incompreensão de suas consequências. O que não é novidade é que o jovem - perfil que mais mata e mais morre no trânsito - continua não sendo atingido pelos trabalhos de educação pública para este setor. Em pesquisa de 2009, o IBGE apurou que 30% de jovens de 14 anos nunca usaram cinto de segurança em nenhuma circunstância. Outro levantamento, do Denatran, verificou que nenhuma atividade de educação para o trânsito é realizada na maioria das escolas (51,8%) nas quais estudam os jovens pesquisados.
Especialistas afirmam que este quadro tem que mudar, para que as tragédias causadas pela falta do uso do cinto (e não só no banco traseiro) tenham fim. Segundo eles, embora existam campanhas de conscientização patrocinadas pelos órgãos de trânsito, a sua disseminação - principalmente entre os jovens - ainda é considerada tímida. É preciso que sejam intensificadas e ampliadas, atingindo escolas e locais de grande concentração de crianças e jovens, os que mais utilizam os bancos traseiros de automóveis. Recentemente a TV mostrou peças publicitárias sobre o uso do cinto de segurança, muito eficientes em sua criação e execução, mas que tiveram pequeno alcance, já que os anúncios não ficaram muito tempo no ar. Agravando outros graves problemas que transformam o trânsito brasileiro num dos mais perigosos do mundo, ao dispensar o cinto, motoristas e passageiros colocam sua vida em risco, além de ameaçar a vida de outros condutores de veículos automotores, ciclistas e pedestres.
A mudança na mentalidade do brasileiro, que precisa se conscientizar de que carros, caminhões e ônibus, entre vários outros, podem virar uma arma mortal ao serem conduzidos com irresponsabilidade. O Brasil tem a necessidade de melhor orientar condutores e pedestres a partir da escola. Só assim será possível tornar o trânsito menos violento em todo o País. Porém, enquanto vemos que jovens e adolescentes ainda ignoram o perigo de dispensar o cinto de segurança não vislumbramos nenhuma melhora em curto prazo. Trata-se de uma postura que deveria ser obrigatória, passando pela necessidade de conscientização e pelo reconhecimento de que esta simples medida poderia reduzir o número de mortes no trânsito.
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