Numa de minhas campanhas eleitorais, eu abordei um eleitor, lá pelas bandas do Leporace , entreguei-lhe o meu santinho e pedi o voto. O eleitor, já totalmente embriagado, olhou-me e soltou um bafo de cana com as seguintes indagações:
-Quem é você? O que você já fez pela Franca?
E eu, orgulhoso, respondi:
-Já fui vice-prefeito no tempo do Maurício Sandoval e este bairro é fruto da nossa administração.
O cidadão, pondo sua mão em meu ombro para melhor se amparar, atacou:
-Vice? O que é ser vice? Vice e nada é a mesma coisa. Você já viu uma rua com o nome de vice-prefeito Fulano de Tal?
Certamente o alcoolizado cidadão não votou em mim e, talvez, nem sequer se lembre de ter mantido comigo tal diálogo. De uma certa forma, sou obrigado a concordar com ele : “vice é vice, parece que manda mas não manda nada. Depende inteiramente do titular do cargo que sempre o observa com uma certa desconfiança e com medo de que ele assuma o posto. O vice é aquele que pode ser, mas ainda não é. É um transtorno, uma ameaça, um ornamento perigoso, uma mera expectativa. Quanto muito, o vice serve para representar o titular em solenidades entediantes, para descer o pau nos adversários nos programas políticos, em suma , para fazer o papel do demônio.
Nestas eleições de 2010, os vices nem serviram para exercer o seu papel diabólico. O Índio tentou, mas logo deram-lhe as costas. Quanto muito, concederam-lhes o direito de uma aparição hiticoquiana.
A grande maioria do eleitorado não sabe quem é o vice da Dilma, do Serra, do Alckmin. Mal ouviu falar no Michel Temer, no Índio da Costa, no Guilherme Afifi. Mas, cuidado! Quantos sabiam que o vice do Tancredo era o Sarnei, do Color era o Itamar?
Em Franca, o único vice que saiu do segundo plano para o cenário principal foi o Ari. Saiu porque virou prefeito e prefeito foi por duas vezes.
Enfim, por mais secundário que seja, o Vice é sempre uma ameaça, o estepe de emergência, o regra três. É aquele que substitui o titular em suas desgraças.
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