Há, na atual campanha presidencial, alguns fatos que estabelecem mudança no comportamento político da sociedade brasileira ou, pelo menos, daqueles setores que são formadores de opinião. Alguns, confesso, deixam-me muito preocupado.
Um deles é a instituição da ação divisionista praticada pela campanha do candidato do PSDB. O inusitado é que foi praticado justamente pelos setores - simpáticos ao PSDB - que diziam, na primeira campanha vitoriosa do presidente Lula que seu discurso dividia a sociedade e causava uma cisão na paz(?) social brasileira. A campanha raivosa que a candidatura Serra e sua estrutura midiática tem desenvolvido é significativa na defesa do seu projeto político.
Outro aspecto presente na campanha anti-Dilma/Lula é a afirmação sem sentido de que eles representam um projeto político de permanência no poder. Que problema há nisso? O PSDB também não tem esse projeto? Dezesseis anos de governo peessedebista em São Paulo e a recente eleição do Governador Alckmin não significa um projeto político desse Partido? Não vejo problema. Só podemos deduzir que se eles continuam no governo paulista é porque o povo assim deseja. Os partidos existem para agregar simpatizantes de uma idéia e disputar hegemonia política na sociedade. Isso é democracia. Aliás, é estranho ver pessoas discursando em defesa da ‘democracia’ e não saber praticá-la.
Ainda sobre democracia, analiso como preocupante outro argumento que foi apresentado, nessa eleição, pelos detratores do presidente Lula. Argumentam que ele excedeu-se ao criticar o papel que a grande mídia tem tido defendendo, acintosamente, a candidatura Serra. Basta que alguém faça um levantamento atento das manchetes e dos escritos dos diversos articulistas da mídia nacional e se poderá constatar, facilmente, a verdade na queixa presidencial.
O mais preocupante nessas manifestações de setores da mídia é o crescimento inescrupuloso do seu conteúdo golpista, o que tem levado alguns cientistas políticos a definirem a ação como o esboço de um movimento brasileiro neonazista. Não sei se chega a tanto, mas a verdade é que essas manifestações, em sua maioria, são recheadas de sentimentos elitistas e preconceituosos contra um presidente de origem simples e que faz um ótimo governo – as pesquisas de avaliação mostram isso.
Preocupa-me, ainda, os conceitos de democracia e de liberdade de expressão aventados por alguns desses críticos. Será, por exemplo, liberdade de expressão a sociedade ser manipulada pelas notícias tendenciosas da TV Globo, que se tornou verdadeiro “Diário Oficial” da candidatura Serra? Alguém duvida? Então acompanhe as denúncias que desmascaram as manipulações de imagem e fatos que a Globo fez da suposta segunda agressão sofrida pelo seu candidato tucano.
Liberdade de expressão é o direito que esse Comércio garante – e reconheço publicamente –, ao franquear seu espaço para que eu possa manifestar minhas idéias e posições. Isso sim é democracia. Teremos, necessariamente, muito a debater após a eleição. Espero, sinceramente, que esse debate aconteça com respeito e com capacidade de autocrítica.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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