Especialistas alertam para os riscos silenciosos do AVC


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VÍTIMA - A inspetora aposentada Helena Maria Costa Granero, 80, estava dirigindo seu carro quando sofreu um derrame, há três meses. Ainda sente dores nas mãos e braços e tenta se livrar do medo de reviver a experiência
VÍTIMA - A inspetora aposentada Helena Maria Costa Granero, 80, estava dirigindo seu carro quando sofreu um derrame, há três meses. Ainda sente dores nas mãos e braços e tenta se livrar do medo de reviver a experiência

Estresse, diabetes, hipertensão e falta de exercícios físicos podem provocar o entupimento ou hemorragia de alguma artéria no cérebro, deixar sequelas graves e até matar. O problema chamado de AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou derrame causou a morte de 165 pessoas em Franca em 2008. A Secretaria Municipal de Saúde informou que no ano passado houve 48 internações por AVC a cada dez mil internações gerais realizadas no município. O Ministério da Saúde aponta a maior incidência de derrames no Brasil no Estado de São Paulo, que registra mais de 21 mil óbitos por ano. As principais vítimas são idosos, mas há ocorrências até em recém-nascidos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, o AVC é a primeira causa de morte e de incapacidade do País. Hoje, 29 de outubro, é o Dia Mundial do AVC. Em Franca, as instituições de saúde não organizaram eventos especiais para a data, mas, como especialistas, alertam para a ameaça silenciosa que é o derrame.

Além do consultório particular, o neurologista Alexandre Martori é médico no Hospital Unimed São Joaquim e realiza sete plantões por mês e diz que em todos atende de uma a duas vítimas de AVC. Existem dois tipos de derrame: o isquêmico (quando entope uma artéria e impede que o sangue alcance determinada região, provocando lesões) e o hemorrágico (quando uma artéria do cérebro arrebenta e “derrama” sangue). O isquêmico é mais comum e vitima seis em cada dez pacientes.

O AVC pode ser provocado por doenças como a aterosclerose que provoca acúmulo de placas de colesterol dentro das artérias e as entope. Outros fatores de risco podem causar o problema cerebral, como pressão alta, diabetes, colesterol e triglicérides altos, tabagismo e bebidas alcoólicas. “O diabetes provoca deposição de placas nas artérias. Quem tem hipertensão costuma ter as artérias mais frágeis e, às vezes, pode sofrer um pico de pressão e haver o rompimento de alguma delas, provocando o AVC”.

COMO DESCOBRIR
Os sintomas dependem da região do cérebro lesionada. Os mais comuns são fraqueza nos braços ou pernas; a boca repuxando e dificuldades para falar. Outros sinais são tontura, alteração da visão e desmaios.

Os derrames são mais comuns em idosos acima dos 60 anos. Quando acometem jovens costumam estar relacionados a fatores hereditários. “Os idosos estão mais vulneráveis por causa dos problemas cardíacos, hipertensão e diabetes. A prevenção deve ser feita com o controle desses fatores de risco”, disse o neurologista.

Caso a pessoa tenha sinais de que está sofrendo um AVC deve seguir imediatamente para o médico. Quanto antes chegar, mais chances de sobreviver e ter acesso a recursos para diminuir as sequelas. Existem medicações (como o trombolítico alteplase), que já são utilizadas em Franca, para reverter a isquemia, mas precisam ser iniciadas até três horas após o derrame, pois, se passar desse tempo, podem provocar sangramentos e os médicos costumam optar por não aplicá-las. “Uma pessoa que trabalha e de repente se vê com um lado do corpo paralisado e sem conseguir falar, fica condenada, vai ser dependente o resto da vida. Agora se você consegue reverter isso, diminui o custo social, o custo psicológico na pessoa e na própria família”, disse Alexandre.

As sequelas dependem da área atingida no cérebro. Normalmente há paralisia de uma parte do corpo e a fala é afetada. “Caso ocorram isquemias muito grandes ou em áreas importantes do cérebro, como a da respiração, provocam a morte da pessoa”.  

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