Mais de 1,6 mil pessoas estão na fila de espera para a cirurgia de catarata em Franca. O número praticamente triplicou se comparado com 2009, quando a cidade tinha 580 pacientes na fila. O tempo médio de espera pelo procedimento é de seis meses. A fila é formada, principalmente, por pessoas com mais de 60 anos, idade em que a incidência da doença é mais comum. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, o que causou este aumento significativo no tamanho da fila foi a ampliação do acesso ao diagnóstico da doença em Franca. “Em 2009, nós tínhamos dificuldade de acesso de pacientes à consulta oftalmológica. A falta de oftalmologistas causou isso. Consequentemente, tínhamos poucos diagnósticos e poucas pessoas na fila”. Alexandre explica que houve uma ampliação de profissionais por iniciativa da secretaria municipal. “Contratamos, inclusive, três empresas de fora de Franca para prestar este serviço aqui”. Com mais diagnósticos, mais solicitações de cirurgia foram enviadas e, assim, a fila aumentou.
Alexandre ressalta que a fila não é formada apenas por “novos” pacientes. “Muitas pessoas que já fizeram a cirurgia de um olho retornaram para a fila, para fazer do outro. Isso também contribui para o número elevado”.
O controle, a regulação e o pagamento do procedimento cirúrgico são de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde, por meio do Departamento Regional de Saúde. O papel do município é diagnosticar e fazer a triagem dos pacientes. Apesar disso, Alexandre diz que a Prefeitura está se esforçando para interferir e diminuir a fila e, consequentemente, o tempo de espera. “Estamos desempenhando um papel político dentro da Secretaria de Estado para tentar abrir mais vagas para cirurgia. Não podemos diminuir o diagnóstico para diminuir a fila. Precisamos é aumentar o número de procedimentos”.
Apesar do tempo médio de espera ser de seis meses, alguns pacientes estão na fila há mais de um ano. A aposentada Terezinha dos Santos Pimentel, de 69 anos, protocolou o pedido de cirurgia na UAC (Unidade de Avaliação e Controle), ligada à Secretaria Municipal de Saúde, no dia 22 de setembro de 2009. Terezinha vive no Lar de Ofélia, no Jardim Planalto. Além da aposentada, a instituição abriga outros oito idosos que estão na fila. “Não consigo enxergar muito bem. Parece que tem uma nuvem tampando meus olhos”, relata Terezinha.
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