Resultado da eleição


| Tempo de leitura: 2 min

Grande parte da imprensa do País tem o presidente Lula como sendo o trigésimo nono a ocupar o cargo maior da era republicana. Para valer essa classificação seria necessário contar alguns nomes ou juntas que passaram apenas alguns dias de transição pela Presidência. Dentro da realidade histórica, o atual presidente emplaca o número 29.

Seguindo a tabela exata, daqui a cinco dias, a população brasileira conhecerá seu trigésimo presidente da República. Ou o cargo de número 30 será ocupado por uma presidente? A incógnita está no ar. Somente o final do próximo dia 31 de outubro para apresentar a solução para o binômio criado por este segundo turno da eleição presidencial.

Isso porque o eleitorado vive em plena era da informática. Fosse em tempos de pouca agilidade eletrônica, quando o voto era cravado diretamente numa cédula eleitoral, o resultado da eleição para presidente só seria conhecido dentro de uns dez dias. E olhe lá. A contagem dos votos era demorada e se transformava em espetáculo ao vivo, transmitido pelas ondas emitidas por estações de rádio.

Para se ter uma vaga ideia do processo, uma eleição para prefeito aqui em Franca nunca tinha o seu resultado ratificado em menos de cinco dias. As rádios da cidade alcançavam os mais altos índices de audiência por ocasião das apurações. Locutores e repórteres ficavam roucos com as transmissões diretas dos postos destinados à contagem dos votos.

Aonde quer que se fosse pela cidade, havia um rádio ligado na apuração dos votos.

Não bastasse isso, muitas pessoas saiam também pelas ruas com um receptor portátil sintonizado. Parecia que as rádios estavam em cadeia. Ninguém deixava de acompanhar a contagem radiofônica. Montava-se até bancas para receber apostas em dinheiro. O resultado da eleição podia até servir de sorte ou azar para os apostadores.

Nesse tempo de visível envolvimento político, pelo menos para se saber quem seria o novo presidente (governador ou prefeito também), o povo pouco se preocupava com a crença religiosa ou com as concepções de vida dos candidatos. O que contava para o eleitor era somente a vida pregressa do postulante ao cargo e os seus feitos na área pública.

Religião não servia de mote para campanha eleitoral. Mesmo porque até para se lembrar de Deus torna-se necessário ter algum costume disso. Caso contrário, fica patético o manuseio de um terço por quem não faz isso rotineiramente. De nada adianta se persignar, espalhando a ponta do dedo indicador pelo rosto, como arremate de uma liturgia.

O povo percebe logo a falta de traquejo dos candidatos. A demonstração de religiosidade não convence. A parelha não é do ramo. No entanto, o eleitor deixa de captar que por trás das cenas de crença ou das opiniões enviesadas sobre o aborto está a comodidade capaz de acobertar os verdadeiros problemas vividos pelo âmago do poder.

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários