Levantamento do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) indica que, segundo o resultado preliminar das eleições, apenas 35 dos 513 deputados federais eleitos alcançaram individualmente o quociente eleitoral nos seus Estados. Em 2006, 32 foram eleitos ou reeleitos com os seus próprios votos, sem precisar de suas coligações. Bahia, Pernambuco e Minas Gerais elegeram cinco parlamentares cada um nessa situação. Ceará, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo têm dois eleitos cada. Acre, Distrito Federal, Piauí, Paraná, Rondônia e Roraima contam com um representante cada. Considerando os partidos, PT e PMDB elegeram sete cada; PSB, cinco; PR, quatro; PSDB, DEM e PP, dois; e PTB, PPS, PDT, PSC, PSOL e PC do B, um. O humorista Tiririca conquistou 1,3 milhão de votos pelo PR em São Paulo, suficientes para ajudar a eleger mais 3,5 deputados de sua coligação. Por outro lado, candidatos com votação expressiva não foram eleitos. No Rio Grande do Sul, Luciana Genro (PSOL) não conseguiu ser reeleita, apesar de ter recebido 129 mil votos - a deputada não eleita mais votada do Brasil.
Tudo isso decorre de uma legislação ultrapassada, por meio da qual o eleitor não tem a chance de escolher efetivamente todos os deputados que vão representá-lo. Enquanto nas eleições para presidente, senadores, governadores e prefeitos quem tem a maioria dos votos se elege, quando se trata de deputados - federais e estaduais - a conta é diferente. Vale a proporcionalidade de votos de cada partido. Por isso acontecem disparates como o que deixou Luciana Genro de fora da Câmara dos Deputados, em que pese os 129 mil votos que recebeu. Em 2002, a expressiva votação de Enéas Carneiro (Prona) em São Paulo - mais de 1,5 milhão de votos - foi responsável por garantir o mandato de mais cinco deputados, sendo que quatro tiveram menos de mil votos cada - o menos votado teve 275 votos, insuficientes para eleger um vereador em cidades de porte médio. Uma discrepância na qual os próprios políticos não têm grande interesse em dar fim.
Já defendemos aqui, em mais de uma ocasião, a necessidade de uma reforma política profunda, para que os resultados das urnas sejam respeitados e os verdadeiramente escolhidos pelos eleitores tomem posse. Não se pode entender que candidatos como Vanderlei Macris (PSDB), ao lado de outros seis - entre eles o também tucano Walter Feldman -, com votação acima de 100 mil votos no Estado de São Paulo, sejam preteridos por outros com quase metade dos sufrágios para comporem a Câmara dos Deputados. Urge uma reforma onde o resultado do pleito no País espelhe realmente a vontade popular. Do contrário, estaremos à mercê de ‘puxadores de voto’ que conseguem levar consigo mais três ou quatro muito menos votados, os quais o eleitor não tinha a intenção de consagrar nas urnas, mas que conseguem uma vaga no Parlamento. Tudo por conta de uma legislação ultrapassada cujos resultados da aplicação não correspondem verdadeiramente à vontade do eleitor.
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