Tem piedade, ó Senhor!


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A Igreja celebra hoje o Dia Mundial das Missões. O tema deste ano é “Missão e Partilha” e o lema, “Ouvi o clamor do meu povo”.

O horizonte da missão é o mundo, a humanidade no seu todo. O trabalho missionário alimenta, fortalece nossa fé, esperança e caridade, mantendo-nos no caminho da fidelidade a Deus e à humanidade, Povo de Deus.

As leituras propostas pela liturgia são as seguintes: Eclesiástico 35; II Carta a Timóteo 4 e o Evangelho narrado por São Lucas, capítulo 18.

A primeira leitura nos traz novamente a figura de Deus como juiz. A imagem que conhecemos sobre um juiz em nossa sociedade é de uma pessoa que julga sem simpatia ou ligação por nenhuma das partes que se apresentam diante dele. O juiz deve ser imparcial.

Deus não é assim: ele toma partido e é, portanto, parcial. Coloca-se ao lado do pobre. Os pobres não podem pagar o processo; eles só podem oferecer suas lágrimas, fome, enfermidade, gritos e dor. O trecho do livro do Eclesiástico condena a troca de favores.

Agrade-nos ou não, amizades, parentesco, presentes, ameaças, posição social elevada... nada disso tem valor perante Deus. A única condição que o comove é a pobreza, é a necessidade do ser humano. Deus é justo porque se enternece diante do pobre.

Quando dele se aproxima alguém que não tem merecimento algum para mostrar, alguém que só pode contar com suas misérias, ele se comove e sempre pronuncia uma sentença de salvação. A prece dos humildes, por ser sincera, atravessa as nuvens, chega a Deus e é ouvida. Que bom sabermos que, em nossas dores, dificuldades e problemas, Deus está conosco.

Na segunda leitura, trecho que São Paulo escreveu a Timóteo, seu companheiro na obra de evangelização e na formação das primeiras comunidades cristãs, deixa bem claro que está muito próximo o dia em que deve deixar este mundo. Ele afirma que se comportou como um atleta que participa das competições esportivas num estádio: é assim que avalia toda a sua vida. E se entrega ao Senhor, justo juiz.

Quando um atleta vence uma batalha, recebe uma coroa. Paulo tem certeza que Deus entregará uma também para ele, no dia em que for acolhido na morada eterna. Torna-se um modelo para todos que têm comando na comunidade: deve ter uma fé sólida, testada nas dificuldades e perseguições e um imenso amor por Cristo.

Paulo, como todo ser humano, teme a morte. Como crente, entretanto, a encara com serenidade e a aceita como um sacrifício que há de oferecer a Deus e ao retorno à casa do Pai. Paulo agradece ao Senhor a ajuda recebida para cumprir sua missão no mundo.

O Evangelho nos apresenta uma parábola que é sequência daquela que ouvimos no último domingo, que falou da viúva insistente e do juiz iníquo. Hoje está endereçada a todos que se posicionam como autossuficientes. O evangelho fala do fariseu e do publicano.

O fariseu não é uma pessoa má. É o personagem dos direitos, da necessidade de cumprir a lei, é rígido. Diz que jejua duas vezes por semana e dá o dízimo de toda a sua renda. É uma pessoa religiosa dentro do povo de Deus. O seu erro é se considerar justificado pelas obras que realiza e pensar ser melhor que as outras pessoas. Se ele se julga bom, merecedor da salvação, para que precisa de Deus?

E o publicano? Quem era? De forma alguma era o tipo humilde e bondoso que podemos imaginar. Era um ladrão diplomado, um grande explorador. Não roubava dos ricos, mas sangrava os pobres.

O publicano é o encarregado de recolher os impostos que serão enviados aos romanos. À cobrança dos impostos, os publicanos acrescentavam sua porcentagem pessoal, muitas vezes abusiva.

O publicano desta parábola é uma pessoa consciente de seu mau comportamento, por isso não se julga melhor que ninguém. O publicano não deve ser considerado como um modelo de vida virtuosa. Ele é somente a imagem da única atitude certa que o homem deve assumir diante de Deus: ter necessidade da misericórdia divina.

Diante de Deus devemos ter sempre as mãos vazias. Não exibir nada do que é, do que tem, etc. Agrada a Deus o coração humilde, despojado, simples e confiante.

DIA NACIONAL DA JUVENTUDE
Hoje a Diocese de Franca celebra o Dia Nacional da Juventude. O encontro inicia-se às 8h, na Paróquia Santa Rita. A partir das 11h os jovens vão manifestar a presença alegre e jovem da igreja caminhando até a Catedral para a missa das 12h, presidida pelo Bispo Dom Pedro Luiz. “Jovem, participe com alegria e coragem”.

ELEIÇÕES 2010
No próximo domingo vamos escolher o futuro Presidente do Brasil. Nesta semana, vamos pedir a “sabedoria” de Deus para a nossa decisão. É necessário votar manifestando nossa participação católica neste processo democrático.

PENSAMENTO
“Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz” (São Francisco de Assis).

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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