Degladiação eleitoral


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O cônsul italiano Maquiavel acreditava que a sutil e planejada combinação entre demonstração de força e da astúcia é que marcava a vida dos grandes príncipes.

Por esta trilha, muitos imputam a ele a noção que o critério para julgar uma decisão política é simplesmente o resultado ou a conquista do objetivo a partir da habilidade. O mundo da moral e o mundo da política estariam em dimensões distintas. Na atual campanha eleitoral onde já vimos quase tudo, acreditamos que nesta última semana o eleitor tem que ficar atento para não ser ‘manipulado’ por acontecimentos e informações que serão divulgados de ‘última hora’, pois aqui é o Brasil!

O que mais nos entristece é ver nosso presidente utilizando todo o espaço possível na mídia somente para fazer campanha eleitoral. O pior é que ao tomar posição frente a alguns acontecimentos, passa informações inverídicas, como ocorreu no caso da caminhada do candidato José Serra pela cidade do Rio de Janeiro. Ficou muito ruim para o presidente. Suas declarações foram totalmente desmentidas pelas imagens apresentadas no Jornal Nacional, da Rede Globo, ou seja, houve mesmo dois objetos atirados que atingiram o candidato e não somente um como afirmou Lula.

A responsabilidade que envolve as ações de um líder político há que ser pautada pelo equilíbrio, visto que será responsabilizado. A assessoria do presidente não deveria deixar de orientá-lo da possibilidade da existência de outras imagens dos acontecimentos, mas a vontade de atacar e massacrar o adversário na reta final eleitoral foi maior que a recomendação de prudência.

Queiram ou não, o presidente foi desmascarado em rede nacional de televisão, o que abala sua credibilidade junto aos cidadãos mais conscientes. Agora, que assumam o desgaste que a pressa trouxe. Infelizmente a eleição deste ano, ficará marcada por promessas e ataques. Nenhuma preocupação com o sentido histórico e ideológico pois o que vale, é a vitória, custe o que custar!

O DIA DO AVIADOR
Peço permissão aos leitores para fazer algumas reflexões, piloto apaixonado que somos, principalmente pela aviação militar e desportiva. Outro dia, reportagem na televisão abordava alunos de escolas de aviação. Apenas estava preocupada em informar o valor do curso, os altos salários e o vasto campo profissional para pilotos na atualidade.
Ficamos tristes. Para nós, pilotos de outra geração, voar não pode ser o que vemos nos dias de hoje, onde um grupo apático se limita a levar do ponto ‘A’ ao ponto ‘B’ um monte de passageiros, através de um conjunto de instrumentos computadorizados. Voar é a carlinga aberta, o vento embaraçando o cabelo e gemendo nos tirantes, a turbulência, o cheiro do escapamento, o ronco do motor, sentir o fluxo das hélices, a chuva na face, o suor escorrendo, os óculos, as botas de vôo, ter apenas um cinto de segurança entre o piloto e o chão, diários de navegação ‘esfarrapados’ etc.
A quinze mil metros, a uma velocidade superior a ‘Mach Um’ (velocidade do som), a paisagem fica monótona. O que queremos mesmo é voar a cem metros do chão e ao ar livre, com as paisagens não perdendo as cores e as árvores não sendo reduzidas a apenas manchas em razão da alta velocidade.
O que queremos é sentir o barulho do vento, nos ‘dizendo’ para abaixar um pouco mais o ‘nariz’ do avião e usar bastante o leme de direção, pois este ainda é daqueles aviões que não aterrisam sozinhos.
Um dia nos falaram que é muita ‘loucura’ alguém reformar um avião teco-teco da primeira guerra mundial, pois com esse dinheiro daria para comprar um avião de quatro lugares, bem confortável. Para esses, dizemos que queremos voar, pelo prazer de voar! A todos colegas aviadores, parabéns pelo nosso dia!

BRASIL E A DIPLOMACIA
O governo Lula, mais uma vez levou um ‘chapéu’ em diplomacia internacional. Na eleição para o estratégico posto de direção do Departamento de Radiodifusão da UIT - União Internacional de Telecomunicações, que gerencia a atribuição de frequência radioelétricas, órbitas de satélites, a indústria de ‘wireless’ e a organização da Conferência Mundial de Radiocomunicação que decide as tecnologias da futura geração, o candidato brasileiro foi derrotado.
Apesar do governo Lula ser constantemente ‘paparicado’ pela mídia e pelos governos estrangeiros, nunca ‘ganha uma’ e é sempre passado para trás exatamente por países chamados de ‘parceiros do Brasil’. Neste caso, foram os países africanos que deram os votos para o candidato da França vencer, apesar dos acordos com o governo brasileiro.

LOJINHAS DO LEPORACE
Todos vão perder com a decisão e a determinação do Ministério Público de demolir as lojas construídas em garagens no bairro Vicente Leporace. Sem adentrar a detalhes técnicos, a verdade é que a falta de controle dos órgãos municipais e da própria CDHU levaram a essa situação. A falta de fiscalização inicial nas primeiras instalações comerciais é que trouxe tal situação de acreditarem que tudo estava ‘legalizado’ e que não haveria problemas. Outros, então, se instalaram. Agora, a situação é muito difícil de ser resolvida sem trazer polêmicas e acaloradas discussões.
Sabemos que a decisão irá causar um grave problema social mas devemos entender que o Ministério Público está apenas exercendo o seu dever constitucional. Já as autoridades que poderiam realmente intervir legalmente na tentativa de resolver o problema, não se manifestam e literalmente ficam ‘em cima do muro’...

 

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -

toninhomenezes@comerciodafranca.com.br

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