Os espíritos que ditaram respostas a Allan Kardec, base para O Livro dos Espíritos, nas perguntas de 357 a 359 foram peremptoriamente contrários à prática do abortamento, com uma única exceção, tanto quanto são contrárias, nas mesmas condições, as obras subsidiárias à Codificação, especialmente as de Emmanuel e André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Dá-se somente nos casos em que a mãe, em virtude da gravidez, corre risco morte. Nesses casos, deve-se ouvir a opinião de pelo menos dois médicos para decidir-se, com segurança, pela interrupção da vida.
Dizem as entidades espirituais que a reencarnação é uma possibilidade muito aguardada pelo espírito que deseja voltar à vida física. Para ele, a ribalta terrena é oportunidade valiosa para o adiantamento moral a que aspira. Por isso, obstar a reencarnação, por qualquer processo, é uma violência grave contra a vida, contra as Leis Divinas.
Alguém perguntará: não são praticados tantos abortos diariamente, sem qualquer segurança para a mulher? Não será melhor que ele seja descriminalizado, migrando da clandestinidade para a prática segura? Não tem a mulher o direito de dispor do seu corpo como lhe convém? Não há como negar que, infelizmente, o abortamento clandestino é prática disseminada no nosso País, no entanto, um erro não justifica outro. Não seja porque a AIDS esteja lastrada na população que vamos incentivar a prática inconsequente do sexo, sob a falsa ideia de segurança contraceptiva. Ao lado dos riscos físicos que corre a mulher que pratica o aborto o Espiritismo relaciona uma série de malefícios espirituais que acometem aqueles que perpetram o crime. Dois são evidentes: o comprometimento cármico do agente ativo, com consequências futuras, e a obsessão por parte do espírito que teve violentamente negada a oportunidade do recomeço.
É evidente que a mulher é dona do seu corpo. Pode dispor dele como bem entender. Entretanto, ao pratica o abortamento, não está apenas usufruindo dele, mas dispondo, como se direito tivesse, de outro corpo, cujo fator ânimo - que é o espírito - ansiosamente deseja nova oportunidade a redimir-se do passado culposo.
Por isso o Espiritismo é declaradamente contra a prática abortiva. Menos mal que se evite a gravidez com recursos de contracepção. Para tanto, dispõe o homem de inteligência suficiente para criar métodos que evitem a gravidez. Melhor a atitude contraceptiva do que o ato criminoso do aborto. É muito importante ser a favor da vida, contudo, muito mais importante é ser contra qualquer forma de interrupção da gravidez.
A vida, para a Doutrina Espírita, começa na fecundação quando o espírito designado para nova existência é acoplado ao corpo cuja formação se inicia. Que se empenhe em favorecer a vida com atendimento médico adequado, com alimentação correta e medicamentos, mas, preocupar-se, sobretudo, com conscientizar a população quanto à responsabilidade dos seus atos, e à importância de permitir-se que um espírito retorne à vida para o cumprimento de etapa evolutiva. Planejamento familiar, sim; aborto, jamais!
Felipe Salomão
Diretor do IDEFRAN - Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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