O jornal Comércio da Franca teve uma página escolhida para integrar o livro As melhores primeiras páginas dos jornais brasileiros, editado e recém-lançado pela ANJ (Associação Nacional de Jornais). A capa retrata o descaso encontrado no subsolo de um prédio abandonado na região central da cidade, que servia de moradia para 12 pessoas. Uma foto de página inteira foi estampada para mostrar o lixo e escuridão do antigo “piscinão”, na Avenida Major Nicácio, e denunciar as condições sub-humanas em que o grupo vivia no local. A reportagem intitulada “Vidas Invisíveis”, de Joelma Ospedal, Irinéa Donizete e Dirceu Garcia, foi publicada no dia 11 de fevereiro de 2010.
Para organizar a coletânea das melhores primeiras páginas, a ANJ propôs aos seus 146 jornais associados selecionar a melhor capa publicada durante a trajetória de suas empresas. Dos convidados, 101 jornais enviaram suas publicações. O material foi organizado por Judith Brito, diretora-superintendente do Grupo Folha e presidente da ANJ, e pelo jornalista Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação. “Cada um dos jornais associados teve total liberdade para escolher a publicação que considera a sua melhor primeira página. Naturalmente sugerimos que adotassem critérios como a relevância da notícia da primeira página para a cidade, o impacto da notícia e a qualidade do projeto gráfico”, disse Ricardo Pedreira.
No Comércio, a escolha da capa foi feita pelo jornalista Corrêa Neves Júnior, diretor-executivo do GCN Comunicação, idealizador do material publicado. Ricardo Pedreira, que acompanhou as mais de cem edições selecionadas, definiu a do Comércio como impressionante. “Lembro que essa capa impressionou muito quando chegou para nós. É visualmente de grande impacto. O jornal soube valorizar o horror dessa situação abrindo a foto toda em primeira página e teve sensibilidade social de mostrar como o ser humano infelizmente pode chegar a uma situação daquela”.
COMPOSIÇÃO
O local transformado em moradia e usado como ponto para consumo de drogas era de difícil acesso. Os jornalistas encontraram dificuldades para abordar os moradores do local, que estavam resistentes em conceder entrevistas. Após insistentes tentativas, conseguiram as entrevistas e Dirceu fotografou “a caverna”, como ficou conhecido o espaço escuro, úmido e cheio de lixo. “Na hora de compor a capa, fizemos algumas opções com fotos bem grandes, maiores que o habitual, para impactar. Mas Júnior (diretor do GCN) foi mais ousado e decidiu que seria uma foto de capa inteira e que o título seria feito com fontes e tamanho diferenciados”, lembra a editora-chefe, Joelma Ospedal (veja no quadro acima a reprodução da página do livro que traz a capa do jornal).
Para a jornalista, a capa do Comércio figurar no livro é motivo de orgulho. “A matéria trouxe impacto na vida das pessoas do piscinão e movimentou autoridades. Tê-la escolhida para representar as capas do Comércio já foi motivo de grande alegria. Vê-la publicada em um livro, para ficar perpetuada, foi muito gratificante para toda a equipe”.
A construção inacabada na Major Nicácio estava abandonada havia mais de uma década. Um mês após a publicação da reportagem, a Prefeitura mandou aterrar o “piscinão”. Os moradores foram encaminhados para tratamento e para o abrigo provisório.
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