Moradores se revoltam contra demolição de lojinhas


| Tempo de leitura: 2 min
NEGATIVO - O sinal feito pelo comerciante Luiz Cláudio da Cruz indica o que pensa a maioria dos moradores do bairro
NEGATIVO - O sinal feito pelo comerciante Luiz Cláudio da Cruz indica o que pensa a maioria dos moradores do bairro

Os moradores do Parque Vicente Leporace estão revoltados com a decisão do Ministério Público de demolir as lojas construídas em garagens na Avenida Dr. Abrahão Brickmann.

Na última quarta-feira foi realizada uma reunião entre representantes da CHDU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e membros da Comdeico (Comissão Mista de Defesa dos Interesses da Comunidade do Bairro Parque Vicente Leporace). No encontro, foi acordada a proposta da companhia estadual de revitalizar o conjunto habitacional, com a demolição das lojas existentes e construção de centros comerciais para abrigar os estabelecimentos que hoje funcionam nas garagens.

A notícia indignou a maior parte dos moradores do bairro, inclusive os que não possuem ou trabalham nas lojas. De 25 pessoas ouvidas pela reportagem do GCN, 22 se posicionaram contrárias à demolição das lojinhas. O comerciante Luiz Cláudio da Cruz é um deles. Ele trabalha em uma loja na avenida há mais de cinco anos e aluga o local por R$ 300 mensais. Luiz acredita que a demolição das garagens vai acabar com a história do bairro. “O Leporace é isso aqui, é esse comércio. Vamos ter que procurar emprego em alguma fábrica de sapatos. Vai ser a nossa única saída”.

Os lojistas que quiserem manter seu estabelecimento na avenida terão de comprar um espaço no centro comercial que será construído pela CDHU. “O centro comercial não é bom para ninguém. O comércio do Leporace funciona pela circulação de pedestres na avenida. Se ele for realizado em local específico, ele morre”, disse Elizeu Gonçalves de Carvalho, membro da Comdeico, alegando que o projeto de revitalização do bairro foi imposto aos moradores.

A proposta da CDHU é ressarcir os gastos que os proprietários das garagens tiveram com a sua construção em melhorias nos prédios do bairro. Mas para o comerciante Jocélio Ademir Silva, isso não vai funcionar na prática. “Eu vou ser obrigado a pagar um box no centro comercial, sendo que aqui eu já tenho a minha garagem própria. Isso não é ressarcimento. Além disso, as melhorias nos prédios vão ser para todos os moradores, mesmo àqueles que nunca tiveram gasto com garagem, e isso não é justo. Tem muita gente que precisa ser ressarcida e não mora nos prédios também”.

A manicure Cristina Moura Queiroz trabalha em uma garagem da avenida há quatro meses e diz ter medo de que a situação no Leporace fique insustentável. “Isso aqui vai virar uma guerra. A gente não vai deixar destruir nada. São centenas de famílias que dependem desse trabalho”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários