A Prefeitura proibiu o uso do espaço público para fins comerciais particulares. Por isso, o feirão de veículos usados deixou as proximidades do Parque Fernando Costa, bolotas saíram de praças ou meios-fios das ruas e até a folclórica Feira do Rolo foi obrigada a sair da rotatória dos pontilhões da Vila São Sebastião.
Faz pouco mais de vinte anos que alguém levou um par de sapatos para vender ou trocar perto da ponte da Vila São Sebastião. Na época, poucos carros transitavam pelo local nas manhãs de domingo. No entanto, muitos pedestres faziam a travessia da rodovia. Com o tempo, a rotatória passou a lotar semanalmente de produtos usados para venda ou troca.
Do sapato usado inicial, a Feira do Rolo passou a comportar de tudo um pouco. Aquilo que não fosse mais útil em casa ia para o chão da rotatória. Roupas, eletrodomésticos, passarinho, cachorro, cavalo, carroça, carriola, fogão, forno, tacho, bicicleta, moto, carro, peças e o que mais se puder imaginar servia para comercialização.
De repente, o alegre evento comercial passou a servir de ponto para venda ou troca de mercadorias roubadas. De quando em vez a polícia recolhia todo material suspeito. Por fim, a Prefeitura entrou em ação e acabou com a festa dominical matutina dos moradores.
Arrancada da rotatória, igual tiririca, a Feira do Rolo infiltrou suas raízes pela terra e verdejou do outro lado da ponte, na margem direita da Rodovia Cândido Portinari, em terreno particular. Mas durou pouco. A polícia apreendeu mercadorias suspeitas ou sem nota fiscal.
A Feira do Rolo novamente se debandou. Sem espaço adequado, os organizadores foram parar na Rua Francisco Marques, logo após o edifício D’Itália. A nova localização causou rolo no trânsito remodelado da Vila São Sebastião. Os frequentadores estacionam na faixa proibida da Rua Francisco Marques e provocam congestionamento justamente no domingo, dia de pouca circulação de veículos.
Aliás, nos outros dias da semana muitos motoristas também não respeitam a sinalização que proíbe o estacionamento do lado direito. Essa prática está deixando a Rua Francisco Marques com o mesmo antigo fluxo de apenas um veículo por vez.
De outra parte, rolo difícil de acabar é o hábito do pedestre da Vila São Sebastião só usar a rua para transitar. Se a polícia de Franca não se preocupa com a segurança dos ciclistas impedindo a circulação deles na contramão, como coibir então pessoas de andarem fora da calçada?
Quanto à Feira do Rolo, o ideal seria o poder público encampar o evento, que se tornou uma tradição da cidade. Bastaria destinar um local público para a concentração comercial, criar um meio para cadastrar os participantes, instruir os rolistas sobre a exigência de procedência das mercadorias.
Todos ganhariam com a prática. Até mesmo a polícia passaria a ter pistas de ladrões.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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