Apenas argumentos


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Quando se estuda a obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier sem espírito preconcebido chega-se à conclusão de que, na realidade, ali a manifestação dos espíritos se deu em obediência a um inteligente plano, traçado pela espiritualidade superior. Todos os estilos literários estão contemplados na obra do médium. Os autores que assinam as comunicações têm seu estilo, sua temática e seu ‘jeito’ literário nitidamente demonstrados. Em síntese, são eles mesmos. Voltaram para mostrar a imortalidade da alma. Para evidenciar a continuidade da vida após os acontecimentos do túmulo. Na poesia, especialmente, não há como negar que os poetas retornaram.

Os estudiosos da poética encontram na obra psicografada pelo médium Chico Xavier a mais absoluta prova de que os autores das composições são os mesmos de quando se encontravam encarnados. Sobretudo na primeira obra psicografada por ele, quando contava apenas 22 anos de idade e residia em Pedro Leopoldo (MG), isso fica absolutamente patente. Parnaso de Além-Túmulo é o título do primeiro livro famoso do médium mineiro. Críticos dos mais capacitados analisaram a invulgar produção poética e concluíram pela sua autenticidade quanto à origem intelectual. Não que tenham confirmado a hipótese espírita, mas reconheceram a atribuição da qualidade e dos estilos das composições psicografadas pela reconhecida antena psíquica.

Daí porque afirmou o escritor espírita e professor Roque Jacintho que Parnaso... é a prova moral da imortalidade. Na atualidade, o Dr. Elias Barbosa, médico e literato residente em Uberaba (MG), em meticuloso estudo sobre a referida obra mostra a identidade do espírito literário das produções dos poetas quando na Terra e quando na espiritualidade. Não há como tergiversar. No entanto, de vez em quando aqui e ali, para o fenômeno da psicografia surgem explicações que não se sustentam. Umas por negarem a veracidade do fenômeno. Outras por pretenderem a psicografia produto do inconsciente, tese derrubada pela própria essência doutrinaria espírita, mormente pelo Dr. Carlos Imbassay, consagrado escritor e pesquisador das coisas do espírito.

Dizem que o inconsciente do médium, tendo lido ou visto em algum lugar textos e escritos de diversos autores, mecanicamente exterioriza o que viu pensando tratar-se de psicografia. Parece lógico. No entanto, como justificar que o médium Chico Xavier, ainda jovem e detentor apenas de letras primárias, ao publicar seus primeiros trabalhos psicográficos na cidade de Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais, em 1932, nada havia que pudesse abastecer o seu inconsciente? Ainda mais. Sua psicografia não repete o que teria visto, se tivesse visto. São trabalhos inéditos, criativos, originais. Não se encontra similar em qualquer publicação.

Por outro lado, se tudo é produto do inconsciente, por que todo mundo não é médium psicógrafo do gabarito de Chico Xavier? Quantos desejam ser médiuns e não conseguem! Vemos, assim, que são argumentos insustentáveis. A evidência é a da imortalidade, da continuidade da vida após o túmulo. Vê-se que a mediunidade é o novo sentido que se abre para a percepção de outras dimensões e vibrações mais sutis.

Felipe Salomão
Diretor do IDEFRAN – Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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