Pela primeira vez na campanha do segundo turno das eleições para a Presidência da República a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra ficarão frente a frente. O encontro programado para as 22 horas deste domingo, com transmissão pela TV Bandeirantes, deverá ser o primeiro de pelo menos mais dois ou três, ao longo do mês. Desta vez, os dois candidatos farão um confronto direto, com perguntas entre eles em quatro dos cinco blocos, sendo que o último será reservado as considerações de cada um. Embora se saiba que os dois postulantes ao Planalto deverão manter a devida cautela, tanto Serra quanto Dilma irão seguir uma estratégia traçada pela direção das suas campanhas, que vêm sendo estudadas desde o início da semana e deverão ser seguidas em seus mínimos detalhes. Afinal, esta nova etapa da campanha está apenas no início e qualquer mudança no roteiro vai depender dos resultados das pesquisas de intenção de voto que só deverão começar a ser divulgadas a partir desta semana.
José Serra, escaldado com os erros de Geraldo Alckmin em 2006, quando — atendendo aos apelos do seu partido — bateu firme em seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (que acabou reeleito), e sofreu rejeição por isso, recebendo menos votos do que no primeiro turno. Os índices de popularidade do atual ocupante do Palácio do Planalto não permitiam (e nem permitem, no contexto atual) uma postura agressiva. Agora, com Dilma Rousseff, os
tucanos aprenderam a lição e têm poupado o presidente da República de qualquer crítica ou ataque. Como já diz o ditado, gato escaladado tem medo de água fria. E os tucanos apanharam bastante nos dois últimos pleitos presidenciais para agirem de forma destemperada e impensada. Os ataques tucanos restringem-se à petista e à sua ‘inexperiência’, além de tentar lançar sobre a adversária toda a culpa pelas irregularidades verificadas nos dois mandatos de Lula. Além disso, questões como o aborto passam a tornar a adversária uma vidraça na qual o PSDB e seus aliados não se cansam de atirar pedras.
Já Dilma Rousseff — que a cada pronunciamento não deixa de colocar-se como continuadora do presidente e responsável pela maioria das ações do governo petista — deve manter a estratégia neste segundo turno. Porém, por conta da polêmica do aborto, a ex-ministra da Casa Civil não tem conseguido partir para o confronto e a comparação entre os governos Lula e FHC está ficando em segundo plano. A atitude do ex-governador paulista em trazer o ex-presidente tucano para a linha de frente da campanha, já a partir do primeiro programa gratuito de TV, bagunçou um pouco esta estratégia e pode levar os petistas e seus aliados a reavaliar seu planejamento. O debate deste domingo será fundamental para se entender como os dois candidatos deverão se portar a partir de agora. E, mais importante ainda, a atuação dos dois candidatos vai acabar pontuando todo o restante da campanha.
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