‘Parece que está tudo acabando em pizza’, diz um dos denunciantes


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Os jovens que acusam padre Dé disseram a reportagem que conviveram com o religioso quando tentaram entrar no seminário
Os jovens que acusam padre Dé disseram a reportagem que conviveram com o religioso quando tentaram entrar no seminário

Mesmo com a repercussão das denúncias contra o padre José Afonso Dé, 75, quatro jovens de Franca que acusam o sacerdote de abusos temem que o caso acabe impune. Eles se dizem decepcionados com a falta de informações sobre o andamento das investigações e evitam comentar a história. Os adolescentes conviveram com o padre Dé quando tentavam apoio para ingressar no seminário e realizar o sonho de se tornarem sacerdotes. Acusam o padre Dé de passar a mão em suas pernas e apertar seus órgãos genitais, numa “brincadeira” que o religioso batizou de “pirulito”. Os garotos relatam que o padre chegou a fazer isso com os coroinhas na sacristia da igreja, minutos antes de entrarem para celebrar missas.

Entre os adolescentes que acusam o padre, está um de 16 anos. Com o ideal de ser padre, ele morou com o padre Dé por três semanas em fevereiro deste ano e diz ter sido vítima de investidas do sacerdote e ter presenciado a mesma atitude contra outros jovens. Ele não quer mais falar sobre o assunto e comentou apenas sua indignação com o andamento do caso. “Sinto uma revolta muito grande porque pelo visto não vai dar em nada esse processo. Tinha expectativa da CPI da Pedofilia vir até Franca ouvir nossos depoimentos, mas parece que isso não vai acontecer”.

Outro francano, de 35 anos, que também acusa padre Dé de abuso tem a mesma sensação do adolescente. “Sempre imaginei que não ia virar nada. É assim mesmo, eles acobertam. Como quando contei para o bispo (se referindo a Dom Diógenes) o que eu tinha vivido e e ele se calou, está acontecendo de novo. O padre continua dando cursos, está tudo bem...”. Ele afirma que aos 21 anos, com o desejo de se tornar sacerdote, foi levado pelo padre Dé para o Seminário de Iturama e presenciou orgias no local. Acusa ainda o padre Dé de tentar beijá-lo e passar a mão em suas partes íntimas. Ele desistiu de ser padre e hoje está casado. Parou de frequentar a igreja católica.

Um outro jovem de 23 anos costuma dizer que “nasceu e foi criado dentro da igreja católica”, seguindo a tradição da família. Aos 15 anos, quando decidiu ser padre, aproveitou o contato próximo que ele e sua família tinham com padre Dé para ir em busca de seu sonho. O rapaz acompanhava o sacerdote e costumava dormir na casa dele, no Jardim Tropical, mas desistiu de ser orientado por ele após ter “problemas”. O rapaz se recusa a detalhar o que vivenciou e presenciou na residência. Afirma que não revela os fatos porque são “coisas muito pesadas e não está preparado psicologicamente para contar para outras pessoas”.

O jovem participa das investigações. Prestou depoimento à polícia e participou de uma acareação com o padre Dé no Fórum de Franca há cerca de quatro meses. Atualmente, aguarda nova posição sobre o processo. “Nada mudou de seis meses para cá. Só ouço boatos, mas a Justiça não moveu nada. Não sei porque está devagar o processo. Parece que está tudo acabando em pizza”. A expectativa dele é ter explicações sobre o andamento do processo na Justiça. “Quero que o padre Dé pague por todas as acusações que pesam contra ele, que fique na cadeia para não enganar mais ninguém”, desabafou.

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