Seis meses depois que as denúncias contra o padre José Afonso Dé, 75, acusado dos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude contra adolescentes frequentadores da Paróquia São Vicente de Paulo, no Tropical, vieram à tona, os envolvidos aguardam por um veredicto da Justiça.
A espera frustra os meninos que denunciaram o padre. Eles temem que ele fique impune. “Nada mudou de seis meses para cá. Só ouço boatos”, disse um deles.
O advogado do padre Dé, José Chiachiri Neto, disse que o processo está correndo num prazo normal. Ele ainda afirmou que o religioso também torce para que a decisão judicial saia o mais rápido possível. “Ninguém tem mais interesse nisso do que o Padre Dé”.
Chiachiri disse que as testemunhas do caso continuam sendo ouvidas por precatória (depoimentos tomados por carta em outras Comarcas). “Acredito que estamos perto de um fim em primeira instância ainda neste ano, mas não posso dar mais detalhes em cumprimento ao segredo de Justiça”.
As denúncias se tornaram públicas em março, quando quatro garotos entre 13 e 16 anos procuraram a polícia para relatar supostos abusos que sofriam do padre. Após ouvir todos os envolvidos, a Delegacia da Mulher instaurou inquérito e o encaminhou para o Ministério Público. A delegada Graciela Davi Ambrósio disse, à época, que tinha “provas suficientes, colhidas no inquérito, para indiciá-lo”. As denúncias foram acatadas pela Justiça, que decretou segredo sobre o processo. Desde então, não há detalhes sobre o andamento do caso.
As denúncias também são investigadas pelo Tribunal Eclesiástico da Igreja Católica, que colheu os depoimentos dos meninos e pediu a manifestação de defesa do padre. Bispo da Diocese de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, disse que o processo “caminha com celeridade” e deve ser concluído mais rápido do que na Justiça comum. “Tenho todo o interesse no resultado da Justiça da Igreja”.
A CPI da Pedofilia (Comissão Parlamentar de Inquérito), que em abril convocou o padre Dé para depor e anunciou a vinda à cidade, não cumpriu o prometido. Na ocasião, o senador Romeu Tuma (PTB), vice-presidente da CPI, disse que tinha a convicção da culpa do padre. Na última sexta-feira, porém, a secretaria da CPI em Brasília informou que os trabalhos da comissão serão encerrados em novembro e que não há perspectiva para a realização das oitivas em Franca. Entre os principais fatores que teriam atrapalhado o prosseguimento das investigações estão o período eleitoral (que deixou o Congresso Nacional em recesso, sem sessões regulares, o que atrasou o trabalho da CPI) e a doença de Romeu Tuma. Desde 1º de setembro ele está internado, vítima de insuficiência cardíaca. No sábado, o senador recebeu um coração artificial.
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