A prima rica da chicória


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Suas folhas, que ficam entre o verde-claro e o branco, pelo côncavo lembram um barquinho
Suas folhas, que ficam entre o verde-claro e o branco, pelo côncavo lembram um barquinho

Tanto pelo formato como pelo sabor exótico, a endívia ganhou nos últimos tempos lugar de destaque nas criações de muitos chefs estrelados. Suas folhas, que ficam entre o verde-claro e o branco, pelo côncavo lembram um barquinho. Sua textura firme e crocante é perfeita para acolher recheios cremosos. No auge da sofisticação, há até os que enfeitam suas bordas com caviar. Como se vê, é iguaria pra quem gosta de elaborações mais refinadas.

Esta verdura, a endívia, apareceu no mercado há pouco tempo, era difícil de ser encontrada. Mas desde o ano passado já vai se tornando menos incomum, sendo possível achá-la nos varejões e hipermercados. Devido à escassez da oferta, o preço é elevado, cerca de R9,00 a bandejinha com quatro unidades. Se você aprecia alcachofra, gostará de endívia, pois ela oferece ao paladar aquele mesmo travo amargo das flores comestíveis.

De onde ela vem? Sua origem primeira foi a Bélgica, onde pequenos lavradores a cultivam há um século. É de lida difícil, pois uma raiz só produz uma endívia, que na verdade é o miolo, pois as folhas externas são retiradas para que cresça como um repolho compridinho.
Da mesma família são o almeirão, a escarola e o radicchio (que tem folhas vermelhas).

 A defesa que dela fazem os apreciadores transborda os limites da gastronomia, pois como seus listados parentes plebeus, é excelente fonte de fibras e oferece baixas calorias, grande atrativo para quem vive atrás de alimentos bons que não engordem. Na história familiar destas folhas, há relatos muito antigos sobre os benefícios à digestão. Até hoje os bebês têm suas cólicas acalmadas com o famoso 'funchicória'.

Inserida na categoria light, a endívia se presta a pratos gostosos, bonitos, não necessariamente inspirados em barcos. Uma prova disso é nossa sugestão deste domingo. Trata-se de endívia caramelizada, fácil de preparar no forno a partir de ingredientes simples: sal, açúcar, pimenta-do-reino branca, azeite de oliva e aceto balsâmico. É este último quem confere personalidade ao prato que tem cor dourada e gostinho adocicado. Também a mistura de sal, açúcar e pimenta contribui com toques diferenciados que o paladar aprova, ainda que surpreso. É uma entrada boa quando as temperaturas sobem. Ou pode ser um acompanhamento para carnes de aves ou suínas.Vai bem com lombo de porco, costelinha, peito de frango ou peru.

Comece o preparo do prato retirando as folhas externas da endívia que estiverem machucadas, feias ou murchas. Corte um centímetro da base, pois é aí que se concentra o amargo. Lave e seque cada metade. Coloque sobre uma tábua e parta ao meio, usando faca afiada. Salpique o sal e depois a pimenta-do-reino branca. Em seguida deixe cair um fio de azeite de oliva com cuidado, para que preencha os vãos entre as folhas. Distribua o açúcar. Leve ao forno em assadeira untada por cerca de meia hora ou até que espetando um garfo perceba que estão amolecidas.

Retire e finalize com aceto balsâmico, vinagre aromático de sabor acentuadamente agridoce, que só começou a ser produzido em grande escala, com objetivos comerciais, a partir do século XIX, na região italiana de Spilamberto. Antes disso era preciosidade usada como moeda no dote das noivas do empobrecido sul da Itália. O aceto balsâmico faz toda a diferença nesta receita. 

Aprenda a receita no passo a passo: (clique na imagem para ampliar)

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