Julgamento das urnas foi duro com candidatos francanos nas eleições


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A estratégia de participar de uma campanha para deixar o nome em evidência tem o seu preço. O retorno nem sempre é o esperado. Ao colocar o nome em disputa numa eleição, candidatos passam por um julgamento popular. O veredicto das urnas costuma ser duro e causar estragos. Há uma semana, 15 candidatos por Franca sonharam em ser eleitos. Apurados os votos, houve mais vencidos do que vencedores. Políticos tradicionais que cantavam vitória saíram frustrados. Nanicos quase desapareceram. Por outro lado, há também aqueles que se sobressaíram mesmo não tendo vencido.

Na parte de cima da gangorra eleitoral, permaneceram firmes os atuais deputados estaduais Roberto Engler (PSDB) e Gilson de Souza (DEM). O primeiro, com uma invejável estrutura e uma campanha planejada, obteve 95,2 mil votos, seu melhor desempenho desde que foi eleito parlamentar pela primeira vez há duas décadas. Foi o 17º da coligação PSDB/DEM. Se reelegeu para o sexto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa.

Gilson de Souza foi o candidato a deputado mais votado em Franca, incluindo os estaduais e federais. Seu número foi clicado por 56.170 eleitores francanos. No total do Estado, a votação chegou a 77,6 mil, desempenho que garantiu a 24ª colocação na coligação e a reeleição tranquila para o terceiro mandato. Só os dois venceram e tiveram motivos para comemorar. Entre os não eleitos, dois nomes saíram fortalecidos das urnas.

A vereadora Graciela Ambrósio (PP) obteve 62,2 mil votos para deputado federal e a foi a terceira mais votada do partido, que conseguiu apenas duas cadeiras na Câmara Federal. A expressiva votação a deixou na primeira suplência e com chances de entrar dependendo do julgamento do Ficha Limpa que poderá liberar os votos destinados a Paulo Maluf. Outro que ganhou sem ter levado foi Donizete da Farmácia (PMN). Sem ocupar cargo público e com uma campanha baseada na ajuda de voluntários, foi votado em 19 cidades e somou mais de 11 mil votos. Aparentemente baixa, a votação rendeu a ele prestígio e convites para composições futuras. Termina nesta linha a relação dos que tiraram algo de positivo nas urnas.

O deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB) foi do céu para o inferno político em apenas quatro anos. Eleito em 2006 com 84,1 mil votos, perdeu 20 mil eleitores e chegou a apenas 63,2 mil no último domingo. Foi o oitavo colocado do partido, que conseguiu sete vagas. É primeiro suplente, mas com gosto amargo. Quem também naufragou na segunda tentativa de chegar à Assembleia Legislativa foi o petista Gilson Pelizaro. Mesmo com o profissionalismo do partido em fazer campanha e com cabos eleitores como Lula, Dilma e Mercadante, ele teve 35,9 mil votos em todo o Estado, quase dez mil a menos do que obteve só em Franca para prefeito há dois anos.

Para Cristiano Rodrigues (PV), a onda verde sequer foi uma marola. Os 3,2 mil votos recebidos na cidade, dificilmente, fariam dele vereador. Parlamentar de quinto mandato e ex-presidente da Câmara, Vanderlei Tristão (PTB) não passou de 5,7 mil votos.

Numa região onde os ninhos tucanos se multiplicaram em expressiva votação, destoa o resultado obtido por Tirso Meirelles (PSDB). Ele amargou uma derrota difícil. Obteve apenas 1,7 mil votos em Franca. Envolvido em um acidente que resultou na morte de três pessoas (em junho, na Rodovia Prefeito Fábio Talarico), Tirso perdeu a chance de explicar ao eleitorado o que, exatamente, aconteceu e porque se recusou a fazer o teste do bafômetro. Pelo o que se viu no dia 3 de outubro, seu silêncio não agradou aos eleitores. 

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