500 idosos aguardam na fila à espera por aparelho auditivo


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ESPERA - Seu Renatal, que vive no Lar ‘Eurípedes Barsanulfo’, mostra seu aparelho quebrado. Aposentado tenta adquirir um novo aparelho há mais de um ano
ESPERA - Seu Renatal, que vive no Lar ‘Eurípedes Barsanulfo’, mostra seu aparelho quebrado. Aposentado tenta adquirir um novo aparelho há mais de um ano

Quinhentos idosos estão na fila de espera para a colocação de aparelhos auditivos na cidade de Franca. Segundo o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, a fila é formada quase integralmente por idosos, porque eles não são considerados como caos de prioridade pelo Ministério da Saúde. Crianças e adolescentes com problemas auditivos são os primeiros a receber os aparelhos.

O serviço de saúde auditiva é realizado em Franca no NGA (Núcleo de Gestão Assistencial), por meio de parceria entre o Ministério da Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde. O serviço é regional e atende 22 cidades. “O Ministério manda o dinheiro, a gente faz o trabalho e entrega o aparelho para o paciente”, explica Alexandre.

Segundo o secretário, os pacientes idosos chegam a esperar um ano para conseguir o aparelho. “É um tempo de espera muito longo, mas temos que seguir as regras do próprio Ministério. Os idosos, aquelas pessoas que vão perdendo a audição, não são prioridade”.
O aposentado Renatal Valins de Melo, de 64 anos, precisa de um novo aparelho auditivo há mais de um ano. Renatal já possui um aparelho, mas ele está quebrado desde o ano passado.

O aposentado vive no Lar de Idosos “Eurípedes Barsanulfo”, no Jardim Santa Mônica. De acordo com a coordenadora da instituição, Luciana Goulart, o aposentado passou por consulta com um otorrinolaringologista há um ano e o médico constatou a necessidade de um novo aparelho. O idoso passou por nova consulta há um mês, mas ainda não se sabe quando ele conseguirá o aparelho. “Agora, eles precisam marcar uma audiometria, depois uma nova consulta. Como existe essa fila de espera, não sabemos quando ele vai conseguir um novo aparelho”. A audiometria é o exame que avalia o grau de deficiência auditiva do paciente. Renatal tem deficiência profunda no ouvido direito e mal consegue se comunicar em virtude do problema.

A fila é causada pela demanda que existe hoje no município. “Cerca de 60 a 70 pacientes recebem o aparelho por mês, mas a gente tem a demanda de quase 100 a cada mês”. Esta defasagem, segundo o secretário, é consequência do teto estipulado pelo Ministério da Saúde, que seria insuficiente para atender todas as pessoas. “Já tentamos conversar com o Ministério para aumentar o teto, porque capacidade operacional para atender nós temos. Temos médico, fonoaudiólogo, estrutura física e equipamentos”. Alexandre afirma que o Ministério da Saúde estima uma necessidade anual de aparelho em torno de 0,5% da população. No caso de Franca, esta porcentagem daria cerca 1,5 mil aparelhos para a cidade. “Se nós tivéssemos os 1,5 mil aparelhos por ano resolveria o problema. Só que a gente não recebe autorização para colocar esta quantidade”. Anualmente, cerca de 700 pessoas a cada ano recebem o aparelho em Franca.

A situação com relação às crianças e adolescentes é mais tranquila. De acordo com Alexandre, não há fila de espera para eles e o tempo entre a primeira consulta e o recebimento do aparelho é, em média, de quatro meses. “O atendimento é imediato. O processo de testagem, seleção e entrega do aparelho leva quatro meses”.

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