Muitos francanos estão com cara de tacho. Divertiram-se ao votar em Tiririca ou entenderam que tinham que preterir algumas candidaturas locais e apostar em gente de fora. Baixada a poeira, deram-se conta da pequenez de seus atos. Estamos sem representação parlamentar em Brasília, e isso é muito ruim
O que vem por ai é triste. Temos uma delegada que jurou defender a lei e pode – ainda – tornar-se deputada, mas só se o Tribunal Superior Eleitoral cometer um desatino e decidir que os Fichas Sujas não devem ainda ser “pegos” nas eleições que acabamos de ter. Resumindo, a delegada entra se quem cometeu crime não for “laçado” pela intransigente necessidade de defender as leis morais, éticas, justas. Controverso, mas...
Quanto aos que tiriricaram, ou os que votaram em candidatos de fora porque não encontraram nos locais – e aqui, falo efetivamente só dos que tinham condições reais de se elegerem – discurso ou foco que privilegiasse seus focos profissionais; ou ainda, dos que ficaram em casa e geraram 32% de abstenção nas urnas incapazes de entender que uma cidade melhor e mais justa se constroi com participação dedicada e efetiva de cada um de seus cidadãos, tenho um único conselho: “permaneçam como até agora foram, insípidos e inodoros”.
Não estou falando de livre arbítrio. Estou falando de ignorância. De gente incapaz de fazer diferença, de pensar, de ler, de se informar, de entender que a vida não é brincadeira e que o progresso que tanto pedem, depende de voto consciente. Está claro que cada um vota em quer quer, mas também deixaram claro que não são gente de grupo e preferem olhar só para o próprio umbigo.
Cobram-me os conscientes. Dizem que alguém tem que ser duro e dizer as verdades. Eu tenho dito que não precisa ser duro. Apresentar cucas-frescas à verdade já é acachapante o suficiente. Não temos deputados federais porque tanta gente brinca com o poder do voto. O resultado é esse que vemos entranhado pelo País afora. A impunidade é a filha bastarda da democracia e da falta de consciência, garantida pela falta de zelo de cada um nós que pode fazer diferença e não faz.
O resultado de tantos votos dados a candidaturas de fora ou deixados de dar porque “votar é obrigação e devia não ser” foi a orfandade desta cidade em Brasília. Para quem não sabe o que é isso, afirmo que qualquer comunidade só existe para valer, quando tem alguém no Congresso Nacional gritando por ela, tornando visível suas causas, vitórias, agruras e necessidades.
Não julgo Marco Ubiali ou Graciela Ambrósio. Suas aspirações ao cargo são legítimas. As pesquisas – e pesquisa é coisa séria sim, capaz de dar sugestões matemáticas adequadas a quem realmente se preocupa com representação política – os indicaram todo o tempo como candidatos com potencial.
A ACIF gritou – se bem que tarde, mas gritou – e pediu voto consciente. Houve quem dissesse que esse negócio de “voto nosso” é bairrismo demodê e preferiu fazer ouvidos moucos. E houve quem dissesse “o que está acontecendo?”. Tal e qual o presidente, não leem, não ouvem rádio e não se informam. Ligam rádio e televisão só para lazer, novela, shows, filmes, jogos. O mundo pega fogo ao derredor, mas não se apoquentam. A vida é boa e basta que a vida seja boa.
Merecemos mesmo a corrupção que grassa por ai. Merecemos as tundas que “aluninhos” estão dando em professores. E merecemos a insegurança e a violência que mata, tortura e suplanta guerras civis. Enquanto estivermos preocupados só com a gente tenderemos a manter tudo como está. Triste!
VOTO NULO?
Há um twiteiro, Lucas Cruz, pedindo que ninguém vote nulo nas eleições para presidente em 31 de outubro, ocasião do 2º turno. E explica: “protesto na urna é a coisa mais imbecil que alguém pode pensar em fazer. É como dizer: ‘Os candidatos não servem para o cargo. Então, de pirraça, vou arrebentar com a minha vida e a de todo o País’. Continua: “se você votar nulo pensando que não elegerá ninguém, errará, pois elegerá sim um deles. Não poderá nem escolher o menos pior”. Cruz tem razão. Quem anula o voto se equipara àquele que vota de qualquer jeito só para cumprir obrigação, sem preocupar-se com resultados. Que saudade tenho das velhas escolas, onde cidadania era matéria do dia a dia.
LADO ESCURO
Várias escolas relataram atos de vandalismo praticados por alunos durante o “apagão” de energia elétrica ocorrido na quinta-feira, quando a cidade foi tomada por chuva forte, ventos que chegaram a 60 quilômetros por hora e descargas elétricas. As escolas dispensaram seus estudantes e, concentração à porta de saída, as coisas aconteceram. Penso que daqui em diante, a natureza vá mostrar os dentes cada vez com mais frequência e intensidade. Visando antecipar-se, a Defesa Civil deveria começar a organizar programas de treinamento contra catástrofes, principalmente para execução em locais de grandes concentrações de pessoas. Escolas, a exemplo. Parece que quando a luz vai embora, o lado escuro das pessoas aflora, a consciência vai embora e resta só o bicho.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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