Duas notícias chamaram a atenção na edição do Comércio de ontem. A primeira delas informava a prisão de dois adolescentes vendendo cocaína no centro de Franca, à luz do dia, em plena Praça Nossa Senhora da Conceição. Os dois levavam 36 porções da droga que ofereciam a outros menores sem nenhuma preocupação, mesmo diante do grande movimento no local e da presença quase constante da polícia nas ruas centrais da cidade. Como apenas um deles (de 16 anos) assumiu ser dono da cocaína, ao ser apreendido por policiais militares que tiveram a atenção despertada para a sua falta de discrição, foi colocado à disposição da Vara da Infância e da Juventude, devendo ser recolhido à Fundação Casa para menores infratores. Some-se a isso o caso de um garoto de 14 anos, apreendido com maconha dentro da escola, há dois dias, e que é exemplar da situação que estamos vivendo. A outra trazia a triste realidade que deixa a população francana sem saída: a polícia registrou três roubos e uma tentativa apenas na tarde de quarta-feira na cidade. Estas ações criminosas começaram às 13h10 e estenderam-se até às16h20, causando uma vítima a cada hora. Somente em um dos casos a vítima percebeu a intenção dos assaltantes e logrou fugir.
As duas reportagens colocam em evidência fatos cuja incidência torna-se cada vez mais corriqueira e, nos últimos tempos, têm sido encarados pela sociedade como naturais, sem nenhum laivo de indignação, ao contrário do que se espera. A violência banalizada vem sendo encarada passivamente e apenas quando acontece um crime de extrema gravidade, considerado hediondo, é que vozes se levantam. Porém, passado o período de indignação, tudo volta à rotina. Matar e morrer deixaram de ser bárbaro para se tornar parte do cotidiano. Hoje assaltantes não respeitam classe social, gênero ou mesmo idade. E, na maioria dos casos, o uso de drogas leva ao furto e ao roubo. Na falta de dinheiro para adquirir a droga, opta-se por arrancá-lo de trabalhadores, donas de casa, comerciantes...
A situação é preocupante à medida em que acompanhamos impassíveis a escalada do uso de drogas e da violência contra a propriedade (e até a vida) alheia. E, constata-se, a parcela de menores envolvidos aumenta da mesma forma em que cresce também o consumo de substâncias entorpecentes ilícitas, num grupo onde o crack vem dominando mentes, vidas e eclipsando futuros, principalmente junto à população mais carente. Por isso, o ser humano precisa voltar a exercitar a capacidade de se indignar quando os direitos individuais dos cidadãos são violentados. Do contrário, poderemos nos tornar refratários a qualquer fato criminoso, deixando as próximas gerações entregues ao crime e ao vício tenebroso. Os que moram por aqui não merecem este destino terrível. Aliás, quem merece?
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