O grau de representatividade junto à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal é uma avaliação muito importante para as cidades neste momento. São os deputados estaduais e federais os porta-vozes da região junto ao Poder Executivo – governador e presidente da República.
Eles fazem também o corpo a corpo com os secretários estaduais e ministros na briga por recursos e projetos de interesse local e regional. Assim como a imprensa é regional, a ótica política é regional. Os deputados dão força aos prefeitos e vereadores para as reivindicações que fogem à rotina da burocracia e que exigem negociação, pressão, avanço, oportunidade. Conhecem o “caminho das pedras”. Isso é o mínimo que se pode esperar dos parlamentares: que abracem as causas maiores da região que representam e pela qual foram eleitos. Eles são os grandes lobistas dos municípios, no bom sentido. Aqueles que não agem dessa forma, não são bons deputados.
Quanto maior a concentração de votos numa região, maior o compromisso do deputado com o seu eleitorado e, por extensão, com a população. Por isso, é fundamental saber se a cidade melhorou ou piorou o seu status em relação à representatividade. Esse foi o grande destaque nos jornais da Rede APJ nos dois dias que se seguiram às eleições de domingo. A diversidade de resultados mostra a importância da articulação da força política local. A cidadania deve ser exercitada para se construir o futuro, despertar novas lideranças, e ocupar os espaços no cenário estadual e nacional. Melhorar o desempenho nas próximas eleições, daqui a quatro anos. E, claro, fiscalizar e cobrar os atuais eleitos.
Compromisso
Exemplo da importância dos deputados para a região é a manchete de ontem do Jornal de Jundiaí: “Três eleitos e um discurso: trabalhar forte para a região”. O jornal foi ouvir o que os recém eleitos dizem na euforia da vitória. E registrou as promessas. Na mesma linha, a Folha da Região, de Araçatuba, publicou a seção “Para cobrar depois”, em que o leitor pode marcar o nome e partido dos candidatos em quem votou para fiscalizar ao longo do mandato.
Disputa pela representatividade
Comparativamente às demais regiões, Rio Preto é uma das que se deu melhor. Elegeu seis deputados federais, seis estaduais e um senador, Aloysio Nunes Ferreira, o mais votado no País. Algo inédito na história, destacou o Diário da Região. O resultado supera regiões de maior população, como a do ABC, onde a bancada federal dobrou de dois para quatro, mas a estadual diminuiu de nove para sete. Também o Alto Tietê, na região metropolitana de São Paulo, tem motivos para festejar. Passa a ter uma das maiores representações na Assembleia e na Câmara Federal com a eleição de cinco deputados federais e cinco estaduais. Em Americana, O Liberal avaliou que a região ganhou força na Assembleia Legislativa ao eleger quatro deputados, mas perdeu na Câmara Federal (nenhum eleito). Araraquara aumentou a sua representatividade ao eleger dois estaduais e um federal graças ao comportamento do eleitorado que optou fortemente por candidatos com “carreira política consolidada na cidade”, segundo disse à Tribuna Impressa o cientista político Marcelo Santos, da Unesp. Tudo isso é de fazer inveja a outras regiões, como a de Bauru que, com quase 1 milhão de votos, perdeu representatividade no Congresso Nacional: apenas um de seus atuais deputados federais foi reeleito e na Assembleia Legislativa a região segue apenas com Pedro Tobias, um dos mais votados do PSDB no Estado. A região de Araçatuba também elegeu um estadual e um federal. Sorocaba emplacou cinco estaduais, mas em editorial intitulado “Pior do que estava, ficou”, o Cruzeiro do Sul lamenta que a cidade tenha eleito apenas um representante na Câmara Federal, em lugar dos três na atual legislatura. E aponta que apenas 54% dos votos válidos de Sorocaba foram para candidatos a deputado federal pela cidade. Franca tinha dois estaduais e um federal e conseguiu reeleger apenas os estaduais, mas não perdeu a esperança: se Paulo Maluf obtiver uma decisão judicial favorável, o PP ampliaria o número de vagas na Câmara Federal e uma delas estaria assegurada a Graciela Ambrósio (PP), conforme destacou o Comércio da Franca em sua edição de ontem.
Concorrência
O Jornal de Limeira destacou que o número de votos dos eleitores limeirenses nos candidatos da cidade foi menor em relação a 2006: os candidatos locais obtiveram desta vez 151,6 mil votos, contra 166,8 mil nas eleições passadas. A comparação remete a outra polêmica nas cidades: a opção do eleitorado por candidatos de outras bases eleitorais. Esse é um bom termômetro para avaliar se a população aprova a atuação de seus políticos e também se os candidatos conseguiram fazer chegar as suas mensagens com eficiência. O Vale do Paraíba elegeu quatro federais, entre eles o mais votado no País depois de Tiririca, Gabriel Chalita, e três estaduais, mas teria condições de eleger até sete na Assembleia Legislativa com o colégio eleitoral que possui, de 1,6 milhão de eleitores, segundo as contas do jornal O Vale. Dos 1,1 milhão de votos válidos destinados a deputados estaduais, 69,8% foram destinados a candidatos com domicílio eleitoral na região; o restante foi dado a “candidatos forasteiros”. No ABC, o índice foi menor: 46% dos votos foram dados a candidatos da região, possivelmente pela proximidade com concorrentes da Região Metropolitana.
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br
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