O prédio onde será instalado o Poupatempo de Franca foi desapropriado pelo governo do Estado. A decisão foi tomada pelo governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), e formalizada em decreto publicado no dia 2 de outubro no Diário Oficial. O prédio, na Rua Ouvidor Freire, pertencia ao jornalista Corrêa Neves Júnior, diretor-executivo do GCN Comunicação, e foi sede do jornal Comércio da Franca por 33 anos. No decreto, o governador “declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, os bens imóveis localizados no Município de Franca, necessários à instalação de um Posto Poupatempo ou de outros serviços públicos”. Não cita valores nem prazos para que a desapropriação seja concluída.
No dia 1º de setembro de 2008, Corrêa Neves Júnior venceu a licitação que tinha como objetivo escolher e alugar um prédio em Franca para a instalação do Poupatempo. A concorrência pública escolheu as melhores condições e melhor preço entre cinco participantes. O processo não definiu valor para reforma ou instalação e apenas estipulava o valor do aluguel.
Durante um ano nenhum questionamento foi feito. Após este período, uma série de especulações foi criada para alimentar críticas ao processo. O questionamento, no início, era porque o governo estadual não tinha escolhido o antigo prédio da Unesp, mas um imóvel particular. Segundo o Estado, a explicação é que o imóvel da universidade, onde hoje funcionam secretarias estaduais, não possui as características técnicas desejadas pelo governo, é tombado e, por isso, não poderia ser reformado. Depois, anônimos dispararam emails e correspondências misturando valores que seriam investidos em várias etapas da instalação e manutenção do Poupatempo por cinco anos.
Em tais emails, conhecidos como spams, seus autores insinuam que os valores recebidos pelo jornalista seriam milionários. “Tudo mentira, para criar uma imagem de que houve manipulação na concorrência”, disse Corrêa Neves Júnior. Até agora, o jornalista não recebeu nenhum centavo do governo do Estado. Os pagamentos dos alugueis começariam apenas em agosto. Três autores de spams foram identificados e ações na Justiça propostas contra eles.
A medida do governador põe fim a essa discussão. “Apesar de ter vencido uma licitação limpa, justa e transparente, penso que a desapropriação encerra qualquer tipo de especulação maldosa. Desde o início o problema não era a instalação do Poupatempo, mas o fato do prédio ser de um jornalista que, eventualmente, desagrada algumas pessoas. Este problema não existe mais. Agora, o prédio será do governo do Estado”, disse Corrêa Neves Júnior. O jornalista disse que acata a medida que melhor convier ao governo do Estado. “A desapropriação é uma surpresa, mas é uma decisão à qual nos cabe respeitar”, completou.
A Assessoria de Comunicação do Estado disse que tomou ciência da medida apenas na tarde de ontem e que hoje iria se manifestar oficialmente. “Agora, espero a notificação oficial para saber quais serão os próximos passos”, finalizou Corrêa Júnior.
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