O déficit de profissionais qualificados e com experiência, que antes estava restrito à indústria calçadista, desde o começo do ano atinge também outros setores da economia. O problema, que ameaça a expansão da produção, afeta desde o setor comercial até a agricultura. Na construção civil, há dificuldade de contratar até ajudantes gerais.
Na ausência de mão de obra qualificada, muitas empresas têm sobrecarregado funcionários, incentivado promoções internas e até oferecido treinamento próprio para não se tornar refém do “apagão” de funcionários e emperrar seu crescimento. Depois da indústria calçadista, a carência ocorre de maneira mais acentuada na área administrativa, no setor comercial e na construção civil. Supervisor de compras, financeiro, gerente administrativo, vendedor, representante comercial, carpinteiro, mestre de obras e eletricistas são alguns do profissionais com maior número de vagas abertas.
Na construtora CV Lopes, a falta de carpinteiro obriga a empresa a buscar empregados fora do município. “A gente traz de Ribeirão Preto porque em Franca não acha. Fico até três semanas procurando e, muitas vezes, preciso fazer um remanejamento interno para não atrasar a obra”, disse a encarregada do Departamento Pessoal, Kênia Campos.
Somente de janeiro a julho deste ano, segundo o Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) regional, foram criados em Franca 253 postos de trabalho no setor. O número é mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. Uma das razões apontadas para a alta seria o retorno dos projetos paralisados entre o fim de 2008 e o primeiro semestre de 2009, em decorrência da crise global.
Na ótica de Roberto Coelho Nunes, contratar alguém que saiba se comunicar com facilidade, tenha noções de atendimento e um mínimo de conhecimento do setor não tem sido uma tarefa fácil. O proprietário diz que para encontrar uma candidata com o perfil desejado precisa analisar currículos durante quase um mês inteiro.
Mesmo em menor escala, metalúrgicas, indústrias de confecção e a agricultura também lidam com o problema. Há vagas, mas faltam candidatos preparados para preenchê-las. Na fábrica de lingerie Frelith, a diretora Sueli Pereira Silva está há seis meses tentando contratar um modelista. “Não acho o profissional. Se tivéssemos mais um modelista, a produção estaria mais tranquila”. No setor agrícola, a falta de qualificação trava, principalmente nas usinas, a contratação de operadores de máquinas, tratoristas, técnicos de campo e agrônomos.
Para o presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), João Carlos Cheade, além da falta de capacitação, o bom momento vivido pela economia da cidade aliado à sazonalidade é outros fator que colabora para a escassez de mão de obra. “As pessoas têm migrado muito de trabalho enquanto a economia se mantém aquecida. Para resolver o problema, só mesmo com qualificação”.
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